Uma empresa de turismo de Joaçaba teve as atividades suspensas por determinação da Justiça após uma investigação do Ministério Público de Santa Catarina (MPSC) apontar um suposto golpe de R$ 19,1 mil envolvendo uma idosa de 66 anos.
Segundo o Ministério Público, o proprietário da agência é investigado por estelionato contra pessoa idosa. A apuração teve origem na contratação de um pacote de viagem para Itapema que, conforme o relato apresentado aos investigadores, não teria sido realizado.
A vítima teria adquirido o pacote e também recebido valores de amigos que pretendiam participar da excursão. Ao todo, segundo o MPSC, a empresa teria recebido R$ 19.100.
O que chamou a atenção da investigação foi a situação das reservas para hospedagem. Conforme os autos, somente R$ 2.500 teriam sido repassados à proprietária dos imóveis que seriam utilizados pelos turistas. O restante necessário para garantir as reservas não teria sido pago.
Viagem não teria estrutura para acontecer
Além dos problemas relacionados à hospedagem, a investigação aponta que a empresa não teria ônibus ou frota disponível para realizar o transporte dos passageiros.
A situação teria ficado evidente para a vítima na antevéspera da viagem. Segundo o Ministério Público, o responsável pela agência informou que havia ocorrido um erro na data da reserva dos apartamentos.
A versão, entretanto, teria sido contestada pela proprietária dos imóveis. Conforme o relato apresentado à investigação, as reservas não teriam sido perdidas por um erro de data, mas canceladas em razão da falta de pagamento. Os apartamentos, segundo essa informação, já haviam sido destinados a outros clientes para o período em que a excursão deveria ocorrer.
Com a viagem comprometida, a vítima teria procurado o responsável pela empresa para solicitar a devolução dos valores pagos.
Ainda segundo o MPSC, depois das cobranças, o homem teria deixado de atender às ligações e bloqueado a vítima nas redes sociais.
Investigação aponta outros relatos
O caso não estaria isolado.
Os autos, conforme o Ministério Público, registram ainda outras três ocorrências semelhantes envolvendo a venda de pacotes turísticos que não teriam sido cumpridos.
Esses registros integram o contexto analisado pela investigação e serão considerados na apuração das responsabilidades.
A suspensão das atividades da empresa determinada pela Justiça tem justamente o objetivo de impedir, neste momento, a continuidade da comercialização dos serviços enquanto o caso é analisado.
Ministério Público busca responsabilização
Para o Ministério Público, a investigação busca esclarecer a forma como os valores foram recebidos, a situação das reservas e da estrutura oferecida aos clientes, além de verificar a existência de outros possíveis casos semelhantes.
A promotora de Justiça Francieli Fiorin afirmou que a atuação busca responsabilizar o investigado e evitar que novas pessoas sejam prejudicadas.
Por se tratar de uma investigação e de uma acusação de estelionato, a responsabilidade criminal ainda deverá ser definida pela Justiça. O investigado é considerado inocente até eventual condenação definitiva.
A reportagem não localizou, nas fontes públicas consultadas, manifestação da defesa do proprietário da empresa sobre as acusações. Caso apresentada, a versão do investigado poderá ser acrescentada à reportagem.
