Dois homens e uma mulher foram denunciados pelo Ministério Público de Santa Catarina (MPSC) por envolvimento na morte de Francisco José Rangel Martinez, de 44 anos, em um caso que, segundo a investigação, teria começado com uma tentativa de extorsão e terminado com a ocultação do corpo da vítima.
A denúncia foi apresentada pela 11ª Promotoria de Justiça da Comarca de Chapecó. Os três denunciados estão presos preventivamente e respondem pelos crimes de extorsão mediante sequestro qualificada pela morte da vítima e ocultação de cadáver.
O crime ocorreu entre os dias 19 e 20 de julho, em Chapecó. Francisco, de origem venezuelana, estava desaparecido desde 19 de julho. Cerca de três semanas depois, a Polícia Civil localizou um cadáver em uma área de vegetação entre Maravilha e Cunha Porã, durante as investigações sobre o desaparecimento.
Na ocasião, o corpo apresentava sinais de violência e estava amordaçado. Três pessoas foram presas temporariamente durante as diligências. A investigação passou a apurar a possibilidade de sequestro, privação de liberdade e morte da vítima.
Vítima teria sido mantida à força dentro do próprio carro
De acordo com a denúncia do Ministério Público, na noite de 19 de julho Francisco estava dentro do próprio veículo acompanhado pelos três denunciados.
Segundo o MPSC, o saldo bancário da vítima teria chamado a atenção do grupo. A partir disso, Francisco teria sido amarrado e amordaçado e mantido contra a vontade dentro do veículo.
Ainda conforme a acusação, os envolvidos teriam obrigado a vítima a realizar transferências bancárias. Os valores somados ultrapassaram R$ 1 mil e, segundo o Ministério Público, teriam sido destinados a um dos denunciados.
A investigação aponta que a intenção do grupo seria obter uma quantia maior, que os envolvidos acreditavam estar disponível na conta da vítima.
Violência teria aumentado no dia seguinte
Conforme a denúncia, no dia 20 de julho a vítima teria resistido às exigências feitas pelos envolvidos.
Diante da dificuldade para obter os valores que esperavam, os denunciados teriam intensificado as agressões. Segundo o Ministério Público, a violência provocou a morte de Francisco.
O caso, que inicialmente teria sido motivado pela tentativa de obtenção de dinheiro, passou a envolver também a ocultação do corpo.
Corpo foi levado para área de mata
Após a morte, os três denunciados teriam utilizado o próprio veículo da vítima para transportar o corpo até uma área de mata às margens da BR-282, na região de Cunha Porã.
Segundo o MPSC, o cadáver foi deixado entre a vegetação e coberto com caixas plásticas e outros objetos encontrados nas proximidades. A acusação sustenta que a ação tinha como objetivo dificultar a localização do corpo.
O veículo utilizado por Francisco também foi localizado durante as investigações.
Desaparecimento mobilizou investigação em Chapecó
Francisco estava desaparecido desde 19 de julho. Na época, a Polícia Civil passou a investigar o caso por meio da Delegacia de Homicídios de Chapecó.
Durante as diligências, os investigadores localizaram o cadáver em uma área situada aproximadamente três quilômetros do trevo entre Maravilha e Cunha Porã. A descoberta ocorreu em 10 de agosto, após cerca de 20 dias de investigação.
A localização do corpo ocorreu durante uma operação que também resultou na prisão temporária de três suspeitos. Naquele momento, a Polícia Civil informou que investigava a possível ocorrência de extorsão mediante sequestro com resultado morte.
Francisco vivia em Chapecó
Francisco José Rangel Martinez era venezuelano e vivia em Chapecó havia cerca de dois anos. No Brasil, trabalhava como entregador para empresas de comércio eletrônico. Antes de se mudar para Santa Catarina, havia atuado como advogado na Venezuela.
A investigação sobre seu desaparecimento avançou até a localização do corpo e a identificação dos suspeitos. Com a conclusão do inquérito policial, o caso passou à fase de análise judicial e posteriormente resultou na denúncia apresentada pelo Ministério Público.
Ministério Público pede indenização à família
Além da responsabilização criminal dos denunciados, o MPSC pediu à Justiça a fixação de um valor mínimo de R$ 100 mil para reparação dos danos causados aos familiares da vítima.
Os três denunciados permanecem presos preventivamente. Segundo o Ministério Público, a prisão busca garantir a ordem pública, assegurar a instrução do processo e garantir a aplicação da lei penal.
O processo tramita em segredo de Justiça.
Como se trata de uma denúncia criminal, as acusações apresentadas pelo Ministério Público ainda serão analisadas pela Justiça. Os denunciados terão direito à defesa e são considerados inocentes até eventual condenação definitiva.
