Novas projeções meteorológicas colocam novamente a Região Sul em estado de atenção para o risco de chuva volumosa nas próximas semanas. Uma atualização do modelo europeu ECMWF indica a possibilidade de acumulados localizados superiores a 500 milímetros no Rio Grande do Sul entre os dias 12 e 27 de julho.
Em uma das simulações, os volumes chegam a aproximadamente 580 milímetros em áreas específicas do estado. Apesar dos números expressivos, especialistas destacam que esse cenário representa uma rodada operacional do modelo e não uma previsão definitiva para todo o território gaúcho.
Previsões convergem para período de instabilidade
Embora ainda existam incertezas sobre os volumes exatos, diferentes centros de previsão apontam para um período de instabilidade persistente no Sul do país.
Segundo a MetSul Meteorologia, uma sequência de sistemas deve provocar episódios de chuva entre quinta-feira (16) e, pelo menos, terça-feira (21), podendo se prolongar por mais dias.
A previsão indica acumulados entre 100 e 200 milímetros em diversas regiões do Rio Grande do Sul. Em áreas isoladas, os volumes podem alcançar entre 200 e 300 milímetros ou até ultrapassar esses valores, dependendo da evolução dos sistemas meteorológicos.
Santa Catarina também deve registrar temporais
A Epagri/Ciram também chama atenção para o período entre 18 e 27 de julho, quando a instabilidade deve aumentar no Sul do Brasil.
De acordo com o órgão, os maiores acumulados continuam concentrados no Rio Grande do Sul, porém municípios catarinenses próximos à divisa também poderão registrar chuva mais intensa.
Em Santa Catarina, a Defesa Civil informa que a combinação entre calor, umidade e a formação de uma frente fria entre o Uruguai e o Rio Grande do Sul favorece a ocorrência de temporais a partir de quinta e sexta-feira.
No fim de semana, especialmente entre sábado e domingo, a tendência é de intensificação da instabilidade nas regiões Oeste e Extremo-Oeste, além das áreas próximas à fronteira com o estado gaúcho. Há possibilidade de chuva forte, rajadas de vento e queda de granizo.
Como a previsão ainda considera vários dias de antecedência, a localização e a intensidade dos temporais poderão sofrer alterações nas próximas atualizações.
El Niño segue em fortalecimento
O cenário ocorre paralelamente ao avanço do fenômeno El Niño no Oceano Pacífico.
Segundo análise da MetSul Meteorologia, a anomalia semanal da temperatura da superfície do mar na região conhecida como Niño 3.4 atingiu dois graus acima da média pelo método tradicional de monitoramento, patamar frequentemente associado de forma informal a um Super El Niño.
Conforme a empresa, esse nível foi alcançado mais cedo do que em episódios históricos registrados nas últimas décadas. O evento de 2023 chegou ao mesmo índice apenas em novembro, enquanto os fenômenos de 1997 e 2015 atingiram essa marca somente em setembro.
NOAA ainda não classifica evento como Super El Niño
A Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos (NOAA) utiliza critérios diferentes para medir a intensidade do fenômeno e, até o momento, não classifica oficialmente o atual evento como um Super El Niño.
Ainda assim, o órgão estima 81% de probabilidade de que o fenômeno alcance intensidade muito forte entre outubro e dezembro de 2026.
A NOAA também projeta 97% de chance de permanência do El Niño durante os primeiros meses de 2027, indicando que seus efeitos poderão continuar ao longo da primavera e do início do verão.
Especialistas recomendam acompanhamento das atualizações
Entre os fatores que favorecem os temporais está a atuação de um corredor de vento em baixos níveis, responsável por transportar ar quente e úmido da Amazônia em direção ao Sul da América do Sul. Ao interagir com frentes frias e áreas de baixa pressão, esse sistema pode favorecer tempestades, granizo, vendavais e elevados volumes de precipitação.
As projeções reacendem a preocupação devido às enchentes registradas no Rio Grande do Sul em 2024. No entanto, especialistas ressaltam que um El Niño intenso não significa, necessariamente, a repetição daquele cenário, já que os impactos dependem da atuação conjunta de diversos fatores meteorológicos.
Neste momento, os órgãos de monitoramento apontam convergência para um período de maior risco de chuva no Sul do Brasil. Por isso, a orientação é acompanhar os boletins atualizados da Defesa Civil, da Epagri/Ciram e dos demais serviços meteorológicos, que deverão indicar com maior precisão as áreas mais afetadas à medida que os sistemas atmosféricos se aproximarem.

