Moção de repúdio aprovada por unanimidade amplia pressão política contra o modelo de concessão das BR-470 e BR-282. Especialistas e lideranças defendem que a união da comunidade será decisiva para influenciar o futuro do projeto.
A aprovação da Moção de Repúdio nº 12/2026 pela Câmara de Vereadores de Capinzal representa mais do que um posicionamento político: é um novo capítulo na mobilização do Meio-Oeste catarinense contra o modelo de concessão proposto pela Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) para as rodovias BR-470 e BR-282.
O documento, assinado pelos vereadores Kaue Oliveira, Dalva Luiza Dalcortivo, Junior Muller, Jair Pedro Toaldo, Valmor de Vargas, Kelvis Borges, Enio José Paggi, Rafael Edgar Tonial e Francisco de Assis Sutil, manifesta repúdio ao projeto por entender que ele prevê a cobrança de pedágio sem oferecer, em contrapartida, um volume suficiente de obras de duplicação para a região.
A discussão ultrapassa o campo político e envolve diretamente a economia, a logística, o transporte de cargas, o turismo e a rotina de milhares de catarinenses que utilizam diariamente as duas rodovias.
O principal questionamento
A maior crítica feita ao projeto não é, necessariamente, a existência de pedágios.
O ponto central levantado por prefeitos, vereadores, empresários, entidades e moradores é outro: pagar mais sem receber uma infraestrutura proporcional.
Para grande parte das lideranças do Meio-Oeste, o projeto apresentado pela ANTT prevê investimentos considerados insuficientes diante da importância estratégica das rodovias.
Em outras palavras, o temor é que a população passe a pagar tarifas enquanto continua enfrentando pistas simples, trechos perigosos, congestionamentos, dificuldades para ultrapassagens e elevados índices de acidentes.
Impacto econômico para a região
A BR-470 e a BR-282 são consideradas os principais corredores de ligação entre o Oeste, o Meio-Oeste, o Vale do Itajaí e o litoral catarinense.
Por elas circulam diariamente:
- caminhões transportando produção agrícola;
- cargas da indústria;
- ônibus;
- profissionais que trabalham em municípios vizinhos;
- estudantes;
- turistas.
Caso o modelo de concessão seja implementado sem alterações, o custo do transporte tende a aumentar.
Esse aumento pode refletir em diversos setores da economia, elevando despesas logísticas das empresas e influenciando, indiretamente, o preço final de produtos e serviços.
Empresas da região também alertam que o aumento dos custos pode reduzir a competitividade dos produtos do Meio-Oeste em relação a outras regiões do país.
Segurança também está no centro do debate
Outro argumento apresentado pelos críticos do projeto é que a região ainda possui diversos trechos considerados críticos.
Motoristas defendem que investimentos robustos em duplicações, terceiras faixas, melhorias de traçado, acostamentos e dispositivos de segurança deveriam anteceder ou acompanhar a implantação da cobrança de pedágio.
Para essas lideranças, o usuário precisa perceber uma melhoria concreta antes de assumir novos custos para utilizar as rodovias.
A preocupação também se estende aos serviços de emergência, já que acidentes graves continuam sendo registrados com frequência nas duas rodovias, reforçando a necessidade de intervenções estruturais.
A força da mobilização popular
Historicamente, projetos de concessão rodoviária podem sofrer alterações durante sua tramitação quando há ampla participação da sociedade.
Audiências públicas, manifestações de entidades empresariais, câmaras municipais, associações comerciais, sindicatos, cooperativas, prefeitos e parlamentares costumam influenciar o debate técnico e político.
Nesse contexto, a Moção de Repúdio aprovada pela Câmara de Capinzal ganha relevância por integrar um movimento regional que busca pressionar a ANTT e o Governo Federal a revisarem o projeto.
Embora uma moção não tenha força para impedir, por si só, a concessão, ela formaliza o posicionamento do Legislativo municipal e fortalece o argumento político das lideranças que defendem mudanças no edital.
Quanto maior for a adesão de municípios, entidades representativas e da população, maior tende a ser a pressão institucional para que o projeto seja reavaliado.
União regional pode fazer diferença
Nos últimos anos, Santa Catarina registrou casos em que projetos de infraestrutura passaram por ajustes após intensa mobilização de prefeitos, parlamentares, entidades empresariais e sociedade civil.
É justamente nesse cenário que as lideranças do Meio-Oeste apostam.
A estratégia é demonstrar que a região não é contrária ao desenvolvimento nem aos investimentos privados, mas defende um modelo mais equilibrado, no qual a cobrança de pedágio esteja acompanhada de obras compatíveis com a importância econômica e social das BR-470 e BR-282.
Caso a mobilização regional continue crescendo, com novas moções de repúdio, participação nas audiências públicas e manifestações de entidades e da população, aumenta a possibilidade de o projeto ser revisto antes da publicação definitiva do edital. A pressão institucional é um dos instrumentos previstos no processo de discussão de concessões federais e pode contribuir para mudanças no modelo apresentado.
Moção aprovada em Capinzal
A Moção de Repúdio nº 12/2026 foi apresentada pelos vereadores:
- Kaue Oliveira;
- Dalva Luiza Dalcortivo;
- Junior Muller;
- Jair Pedro Toaldo;
- Valmor de Vargas;
- Kelvis Borges;
- Enio José Paggi;
- Rafael Edgar Tonial;
- Francisco de Assis Sutil.
O texto manifesta repúdio ao projeto de concessão da ANTT em razão da insuficiência de duplicação prevista frente à cobrança de pedágio na região do Meio-Oeste catarinense.
A expectativa das lideranças é que a manifestação de Capinzal se some às de outros municípios e fortaleça o movimento regional por alterações no projeto antes da definição do modelo de concessão.
Enquanto a discussão segue em andamento, uma mensagem une diferentes setores da região: se houver cobrança de pedágio, a população espera receber, em troca, investimentos capazes de transformar efetivamente a segurança, a mobilidade e o desenvolvimento das rodovias federais que cortam o Meio-Oeste catarinense.

