Um relatório divulgado nesta quarta-feira (15) pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico aponta uma mudança significativa no perfil de saúde da população mundial: embora as pessoas estejam vivendo mais, o número de indivíduos convivendo com múltiplas doenças crônicas tem aumentado de forma expressiva.
De acordo com o estudo, as chamadas doenças não transmissíveis — como problemas cardiovasculares, câncer, diabetes e enfermidades respiratórias — têm impactado diretamente a qualidade de vida da população. Além de reduzir o bem-estar, essas condições também comprometem a capacidade de trabalho e elevam os custos dos sistemas de saúde.
O levantamento destaca que essa tendência deve se intensificar nas próximas décadas. A projeção é de que a prevalência de pessoas com mais de uma doença crônica aumente cerca de 75% nos países que integram a OCDE. Já os gastos com saúde relacionados a essas condições devem crescer mais de 50% por pessoa, pressionando ainda mais os sistemas públicos e privados.
Outro ponto enfatizado no relatório é o impacto econômico dessas doenças. A redução da produtividade e o aumento do afastamento de trabalhadores por problemas de saúde contribuem para perdas significativas na economia, além de ampliar a demanda por serviços médicos e assistência social.
Especialistas alertam que o avanço das doenças crônicas está ligado a fatores como envelhecimento da população, hábitos de vida inadequados e desigualdades no acesso à saúde. O cenário reforça a necessidade de políticas públicas voltadas à prevenção, diagnóstico precoce e promoção de estilos de vida mais saudáveis.
O estudo conclui que, apesar dos avanços na expectativa de vida, o desafio atual não é apenas viver mais, mas garantir melhores condições de saúde ao longo dos anos.

