Fabiano da Luz critica proposta de homenagem a policiais envolvidos em ocorrência com mulher em Jaraguá do Sul

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O deputado Fabiano da Luz (PT), líder da bancada do partido na Assembleia Legislativa de Santa Catarina (Alesc), criticou a proposta de concessão de uma moção de aplauso a policiais militares envolvidos em uma ocorrência registrada no último sábado (12), em Jaraguá do Sul. O episódio envolveu a advogada Fernanda Klitzke, que foi imobilizada e atingida por disparos de bala de borracha durante a ação policial. As circunstâncias da abordagem serão apuradas pela Corregedoria da Polícia Militar.

A ocorrência começou após uma denúncia de perturbação do sossego e ameaça. Segundo a Polícia Militar, a guarnição foi acionada por volta das 20h15. Vídeos divulgados nas redes sociais mostram parte da abordagem e registram Fernanda sendo imobilizada, atingida por disparos e, posteriormente, chutada por um policial.

A versão apresentada pela PM é diferente da relatada pela advogada e por pessoas que estavam no local. A corporação informou que houve desacato, desobediência e resistência e que os fatos serão analisados pela Corregedoria. Fernanda, por sua vez, afirma que se apresentou como advogada para orientar um motorista envolvido na ocorrência e contesta a forma como foi abordada.

É nesse contexto que Fabiano da Luz questiona a proposta de homenagem aos policiais. O parlamentar classificou como inadequado reconhecer os agentes antes da conclusão da apuração sobre a conduta adotada durante a ocorrência.

“Não podemos permitir que se faça uma homenagem a policiais que agrediram uma mulher desarmada”, afirmou o deputado, defendendo que o caso seja investigado pela Corregedoria da Polícia Militar.

Além da manifestação na Assembleia, a bancada estadual do PT apresentou um pedido de informação ao Governo de Santa Catarina, à Secretaria de Estado da Segurança Pública e ao Comando-Geral da PM. O objetivo, segundo o parlamentar, é obter esclarecimentos sobre a ação policial.

Caso ocorre em meio a debate sobre violência contra a mulher

A repercussão política do episódio também se soma ao debate sobre os índices de violência contra mulheres em Santa Catarina.

Dados do Observatório da Violência Contra a Mulher da Alesc apontam que o Estado registrou 52 feminicídios em 2025 e 38 entre janeiro e agosto de 2026. O mesmo levantamento registra 22.619 medidas protetivas requeridas no Estado nos oito primeiros meses deste ano.

Em relatório divulgado em 2026, a Defensoria Pública de Santa Catarina, em parceria com o Observatório da Violência Contra a Mulher e o Ministério Público de Contas, apontou que o Estado registrou mais de 436 mil ocorrências de violência doméstica e familiar entre 2020 e 2025. O estudo também identificou Santa Catarina como o estado com maior número de registros de ameaça contra mulheres nesse contexto, segundo os dados analisados.

Os números são utilizados por Fabiano da Luz para ampliar a cobrança por políticas públicas voltadas à prevenção e proteção das mulheres. O deputado também questiona investimentos estaduais destinados ao enfrentamento da violência doméstica e familiar.

Discussão ainda depende de apurações

A proposta de homenagem e as críticas do deputado ocorrem enquanto a própria ocorrência ainda passa por apuração. A Polícia Militar informou que as circunstâncias da ação serão investigadas pela Corregedoria, enquanto diferentes envolvidos apresentaram versões sobre o que ocorreu durante a abordagem.

Além da investigação interna, o caso provocou manifestações de entidades e lideranças políticas. O episódio também ganhou repercussão por envolver Fernanda Klitzke, advogada e candidata a suplente ao Senado na chapa de Décio Lima (PT) nas eleições de 2026.

Neste momento, portanto, a discussão envolve duas questões distintas: a apuração da conduta dos policiais durante a ocorrência e a proposta de homenagem apresentada na Assembleia Legislativa. A conclusão sobre a atuação dos agentes dependerá das investigações em andamento.

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