Em Chapecó, Renan Santos tenta se apresentar como alternativa à polarização entre Lula e Flávio Bolsonaro

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A passagem de Renan Santos por Chapecó, nesta quinta-feira (17), foi marcada por uma tentativa de tirar sua candidatura presidencial do eixo formado por Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL). Em ato realizado na Praça Coronel Bertaso, o candidato do Missão criticou os dois adversários e pediu aos eleitores que não tratem uma eventual disputa entre eles como uma escolha obrigatória.

Renan apresentou sua candidatura como uma alternativa dentro do campo da direita e afirmou que os eleitores deveriam rejeitar a ideia de que o segundo turno necessariamente seria disputado pelos dois nomes.

“Estão impondo a vocês um Lula e Flávio Bolsonaro no segundo turno como obrigação. Rejeitem isso”, declarou durante o discurso.

A fala foi o eixo central da passagem do candidato pelo Oeste catarinense. Ao longo do ato, Renan alternou críticas aos dois adversários com a defesa de uma agenda própria baseada principalmente em segurança pública, combate ao crime organizado e mudanças na estrutura política brasileira.

Críticas aos dois principais adversários

Ao falar sobre Flávio Bolsonaro, Renan retomou acusações e controvérsias que já fazem parte do debate político em torno do senador, incluindo referências ao caso das chamadas “rachadinhas” e ao Banco Master.

O candidato também fez associações entre Flávio Bolsonaro e organizações criminosas. Essas afirmações foram apresentadas por Renan durante o discurso e não equivalem, por si só, a uma conclusão judicial sobre eventual vínculo do senador com essas organizações.

Renan também direcionou críticas ao ministro Alexandre de Moraes. Defendeu que eventuais irregularidades atribuídas ao ministro sejam investigadas e, ao tratar do assunto, voltou a fazer referências ao caso envolvendo o empresário Daniel Vorcaro e o Banco Master.

No caso de Lula, o candidato retomou críticas relacionadas a episódios de corrupção envolvendo governos anteriores e afirmou que o atual presidente também representa uma alternativa que, na avaliação dele, deveria ser rejeitada pelos eleitores.

Bolsa Família entra no discurso

Outro ponto explorado por Renan foi o reajuste do Bolsa Família anunciado pelo governo federal no mesmo dia de sua passagem por Chapecó.

O governo publicou nesta quinta-feira decreto que atualiza os benefícios do programa em 15,04%, com base na variação acumulada do INPC entre março de 2023 e agosto de 2026. O benefício mínimo por família passa de R$ 600 para R$ 691, enquanto o valor médio projetado sobe de R$ 675 para R$ 777. Os efeitos financeiros começam em outubro.

Durante o ato, Renan afirmou que o reajuste seria ilegal por ocorrer durante o período eleitoral e disse que pretende apresentar uma ação ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) para questionar a medida.

A caracterização de ilegalidade é uma avaliação do candidato. O governo sustenta que a atualização está prevista na legislação do Bolsa Família e corresponde à reposição da inflação acumulada no período considerado.

O anúncio do reajuste ocorre a poucas semanas do primeiro turno das eleições de 2026, marcado para 4 de outubro. Os pagamentos com os novos valores estão previstos para começar em 19 de outubro.

Segurança pública como eixo da candidatura

A segurança pública também ocupou espaço importante no discurso em Chapecó. Renan colocou o combate ao crime organizado entre as principais bandeiras de sua candidatura e associou o tema à necessidade de mudanças políticas no país.

A defesa de uma política de segurança mais rígida apareceu acompanhada de críticas ao atual sistema político e de um discurso voltado à substituição dos grupos que, segundo ele, concentram o poder no país.

O candidato também pediu que seus apoiadores levem essa discussão para conversas com familiares e amigos e afirmou que a mudança política dependeria da mobilização dos eleitores.

Discurso contra a polarização

Ao longo da fala, Renan procurou se diferenciar simultaneamente do governo Lula e do grupo político ligado à família Bolsonaro.

A estratégia apresentada em Chapecó é colocar sua candidatura como uma terceira possibilidade para eleitores de direita que não pretendem votar em Flávio Bolsonaro. Em determinado momento, o candidato afirmou que, em outro cenário político, sua candidatura teria condições de vencer já no primeiro turno.

Essa afirmação representa uma avaliação do próprio candidato sobre sua candidatura, e não uma previsão independente sobre o resultado da eleição.

Agenda pelo Sul

Renan chegou a Chapecó acompanhado da caravana “Futuro Glorioso Tour”, que percorre cidades do Sul e do Sudeste durante a campanha. A agenda desta quinta-feira inclui ainda compromissos em Passo Fundo e Caxias do Sul, no Rio Grande do Sul.

A passagem por Santa Catarina faz parte de uma sequência de agendas do candidato pela região. Depois de Chapecó, a programação prevê compromissos em outras cidades catarinenses durante o fim de semana.

Renan Santos tem 42 anos, é empresário e ganhou projeção nacional pela atuação no Movimento Brasil Livre (MBL). Em 2026, disputa sua primeira eleição como candidato à Presidência da República pelo partido Missão.

No ato de Chapecó, sua principal mensagem foi direcionada à tentativa de romper a ideia de que a eleição presidencial estaria limitada a uma escolha entre Lula e Flávio Bolsonaro, enquanto temas como segurança pública, combate ao crime organizado e o papel do Estado foram utilizados para apresentar as principais bandeiras de sua candidatura.

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