Novo alerta climático: planeta está cada vez mais perto de ultrapassar limite crítico de aquecimento

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As atividades humanas elevaram o aquecimento global para 1,37°C acima dos níveis pré-industriais em 2025, segundo uma nova edição dos Indicadores Globais de Mudança Climática (IGCC). O estudo aponta que, caso as emissões de gases de efeito estufa permaneçam nos níveis atuais, o planeta poderá ultrapassar o limite de 1,5°C por volta de 2030.

O levantamento reúne mais de 70 pesquisadores de 17 países e tem como objetivo atualizar anualmente os principais indicadores climáticos globais, complementando as análises divulgadas pelo Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC).

De acordo com os cientistas, praticamente todo o aquecimento registrado na última década está relacionado às atividades humanas. Entre 2016 e 2025, o aquecimento provocado pela ação humana atingiu uma média de 1,24°C, valor muito próximo da temperatura total observada no período.

O relatório também mostra que as emissões globais de gases de efeito estufa seguem em níveis recordes. Em 2024, foram lançadas na atmosfera cerca de 56,8 bilhões de toneladas de dióxido de carbono equivalente. A maior parcela dessas emissões continua ligada à queima de combustíveis fósseis, embora setores como agropecuária, desmatamento e atividades industriais também contribuam significativamente.

Outro dado considerado preocupante pelos pesquisadores é a redução do chamado orçamento de carbono, indicador que estima quanto dióxido de carbono ainda pode ser emitido antes que determinados limites de aquecimento sejam ultrapassados. Segundo o estudo, no início de 2026 restavam aproximadamente 130 bilhões de toneladas de CO₂ disponíveis para manter a meta de 1,5°C ao alcance. Mantido o ritmo atual de emissões, esse volume poderá ser consumido em cerca de três anos.

Os pesquisadores destacam ainda que o planeta continua acumulando calor em ritmo acelerado, situação que favorece o aumento das temperaturas globais e provoca impactos em diferentes sistemas climáticos, incluindo oceanos, geleiras e regiões polares.

Pela primeira vez, o relatório também avaliou a frequência das ondas de calor marinhas. Os dados mostram que esses eventos mais do que triplicaram entre 1991 e 2025. Somente em 2024 foram registrados 65 dias de ondas de calor nos oceanos em escala global. Esse fenômeno ocorre quando a temperatura da superfície do mar permanece acima da média por longos períodos, podendo causar impactos nos ecossistemas marinhos, na economia ligada ao oceano e até influenciar eventos climáticos extremos em áreas continentais.

Outro indicador que atingiu um novo recorde foi o nível médio dos mares. O estudo aponta que, em 2025, o avanço acumulado chegou a 23 centímetros em comparação aos níveis registrados em 1901. Entre os fatores apontados estão o aquecimento das águas oceânicas e o derretimento de gelo sobre os continentes.

Para os autores do relatório, os resultados reforçam que as mudanças climáticas continuam avançando rapidamente e que a ação humana permanece como principal responsável pelo aumento das temperaturas globais.

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