Modelo criado pela Ford há 100 anos nos EUA inspira debate sobre fim da escala 6×1 no Brasil

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A decisão da montadora Ford Motor Company de adotar a jornada semanal de 40 horas completa 100 anos em 2026 e reacende discussões sobre redução da carga horária de trabalho em diversos países, incluindo o Brasil.

Em maio de 1926, a empresa liderada por Henry Ford anunciou, por iniciativa própria, a implementação da semana de cinco dias de trabalho e dois de descanso em suas fábricas nos Estados Unidos. Até então, os funcionários trabalhavam seis dias por semana.

A medida acabou se tornando um marco histórico no modelo industrial norte-americano e ajudou a consolidar o chamado sistema fordista, caracterizado pela produção em massa e reorganização das relações de trabalho nas fábricas.

Na época, a mudança foi apresentada como uma estratégia para aumentar a produtividade, atrair trabalhadores de outras indústrias e ampliar o consumo, permitindo mais tempo livre aos funcionários. Nos anos 1900, a média de trabalho nos Estados Unidos chegava a cerca de 60 horas semanais. Já na década de 1920, esse número começou a cair para aproximadamente 50 horas.

Movimento operário pressionou por redução da jornada

Apesar do impacto da decisão da Ford, especialistas destacam que a redução da jornada de trabalho foi resultado direto de décadas de mobilização sindical e reivindicações de trabalhadores norte-americanos.

Em entrevista à Agência Brasil, o professor de História da Universidade Federal da Bahia, Antonio Luigi Negro, afirmou que a luta operária buscava melhorar a qualidade de vida dos trabalhadores.

Segundo ele, os movimentos defendiam não apenas melhores salários, mas também mais tempo livre e melhores condições de saúde física e mental.

Com o lema “oito horas para o trabalho, oito horas para o descanso e oito horas para o que quisermos”, sindicatos e trabalhadores pressionaram durante décadas pela redução da jornada até consolidarem o modelo de oito horas diárias e 40 semanais.

O economista e historiador norte-americano Robert M. Whaples também aponta que a pauta da redução da jornada foi decisiva para o fortalecimento do sindicalismo nos Estados Unidos ao longo do século XX.

Segundo estudos publicados pelo especialista, centenas de grandes empresas passaram a adotar a semana de cinco dias após a iniciativa da Ford, ampliando a consolidação do modelo trabalhista que permanece até os dias atuais.

Ford enfrentava críticas por postura antissindical

Apesar de ter implementado a redução da jornada, Henry Ford também ficou conhecido por sua postura considerada hostil aos sindicatos. O professor Antonio Luigi Negro afirma que a empresa adotava medidas rígidas contra movimentos organizados de trabalhadores.

Segundo o historiador, Ford chegou a contratar equipes de segurança para monitorar, intimidar e reprimir funcionários ligados ao sindicalismo dentro das fábricas.

Debate sobre redução da jornada avança no Brasil

Atualmente, a discussão sobre carga horária de trabalho também ganhou força no Brasil. O governo federal e lideranças políticas defendem o fim da escala 6×1, com a criação de dois dias de descanso semanal e redução da jornada das atuais 44 horas para 40 horas semanais.

O tema tramita na Câmara dos Deputados por meio de uma proposta de emenda à Constituição (PEC), cuja análise na comissão especial está prevista para o fim deste mês.

Nos Estados Unidos, dados recentes do Departamento de Estatísticas do Trabalho apontam que a média semanal trabalhada em abril de 2026 foi de 34,3 horas. Em alguns setores, porém, a carga horária ainda ultrapassa 45 horas por semana.

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