Mais de 360 estudantes de Joaçaba concluíram, nesta quinta-feira (10), mais uma etapa de uma iniciativa que aposta na informação como ferramenta de prevenção à violência doméstica. A formatura do programa Protetores do Lar ocorreu no Teatro Alfredo Sigwalt e reuniu jovens das redes pública e privada que participaram de atividades sobre violência, relações familiares, respeito e responsabilidade.
A proposta chama atenção justamente porque o trabalho não termina na escola. Ao concluir a formação, os estudantes passam a ser considerados multiplicadores das informações recebidas, levando para casa e para seus círculos de convivência conhecimentos que podem ajudar na identificação de situações de violência e na construção de relações mais saudáveis.
O programa é desenvolvido pela Polícia Militar, por meio do 26º Batalhão de Polícia Militar, e integra as ações da Rede Catarina de Proteção à Mulher. Durante a formação, os jovens têm contato com diferentes aspectos relacionados à violência doméstica e familiar, incluindo formas de prevenção e maneiras de buscar orientação diante dessas situações.
A iniciativa já vem sendo desenvolvida em Joaçaba há pelo menos dois anos. Em agosto de 2025, 335 estudantes do 3º ano do ensino médio participaram da formação no município. Naquela edição, o projeto contou com a participação da OAB, instituições de ensino, Secretaria de Assistência Social, Conselho Municipal dos Direitos da Mulher e curso de Direito da Unoesc.
O número de participantes aumentou na edição concluída nesta semana, chegando a mais de 360 estudantes. O crescimento acompanha uma proposta que busca aproximar os jovens de um tema que muitas vezes permanece restrito ao ambiente doméstico e que pode envolver diferentes formas de violência, não apenas agressões físicas.
A participação de profissionais de diferentes áreas também faz parte dessa estratégia. Em Santa Catarina, o programa Protetores do Lar foi estruturado pela Polícia Militar como uma ação socioeducativa voltada à prevenção da violência doméstica, com participação de policiais, profissionais da área jurídica e outras pessoas envolvidas na orientação dos estudantes. A OAB/SC, por exemplo, registra que o programa foi criado com a finalidade de reduzir casos de violência doméstica por meio de ações educativas com estudantes do ensino médio.
Em Joaçaba, a formação reúne a Polícia Militar, professores e instituições parceiras, entre elas a OAB. A participação dessas diferentes áreas permite abordar o problema por mais de uma perspectiva, incluindo os aspectos sociais, familiares e jurídicos relacionados à violência.
O próprio funcionamento do projeto mostra uma mudança de foco: em vez de trabalhar somente com quem já está envolvido em uma situação de violência, a iniciativa busca conversar com os jovens antes que determinados comportamentos sejam naturalizados.
Esse trabalho também coloca os estudantes em uma posição ativa. A expectativa é que eles consigam reconhecer sinais de violência, compreendam que diferentes formas de agressão podem ocorrer dentro das relações familiares e saibam que existem caminhos para buscar ajuda e orientação.
Durante a formatura, o prefeito de Joaçaba, Vilson Sartori, destacou a importância de levar esse conhecimento para além do ambiente escolar.
“Estamos formando jovens como Protetores do Lar, levando conhecimento sobre família, violência e, principalmente, sobre a importância de termos comportamentos baseados no respeito e no cuidado com o outro”, afirmou Sartori.
A formação deste ano representa, portanto, mais uma etapa de um programa que vem sendo mantido em Joaçaba e ampliado em número de participantes. Em 2025 foram 335 estudantes formados; agora, mais de 360 concluíram o novo ciclo.
A cerimônia realizada no Teatro Alfredo Sigwalt encerra a etapa de encontros e atividades, mas o resultado pretendido pelo projeto está justamente na continuidade. A partir de agora, os estudantes levam o conteúdo recebido para seus ambientes de convivência, ampliando a circulação de informações sobre respeito, prevenção e enfrentamento da violência doméstica.
Mais do que uma formatura, o encerramento representa a tentativa de fazer com que o conhecimento produzido dentro da escola chegue a outros espaços da comunidade. Em uma área em que a prevenção depende também de informação e reconhecimento dos sinais de violência, a estratégia adotada pelo Protetores do Lar é trabalhar antes que o problema chegue a uma situação ainda mais grave.
