Entenda a crise em Ceuta: milhares cruzam a fronteira entre Marrocos e Espanha, deixando mortos e mobilizando tropas

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A cidade autônoma de Ceuta, território espanhol localizado no norte da África, enfrenta uma nova crise migratória após a chegada de milhares de imigrantes vindos do Marrocos. A maior parte das travessias ocorreu pelo mar, levando o governo da Espanha a reforçar a segurança na região com o envio de militares e a intensificar as ações de controle da fronteira.

Segundo o Ministério do Interior da Espanha, aproximadamente 60 mil migrantes entraram em Ceuta nas últimas 24 horas. A maioria é formada por jovens marroquinos, embora também tenham sido registradas famílias e crianças entre os recém-chegados. Ainda de acordo com as autoridades espanholas, mais da metade dessas pessoas já havia retornado ao Marrocos até esta sexta-feira (31).

A crise também deixou vítimas fatais. O governo espanhol informou que pelo menos 57 pessoas morreram durante a travessia, com os corpos sendo recuperados pelas forças de segurança. A rota entre o norte da África e a Espanha é considerada uma das mais perigosas para migrantes e registra centenas de mortes todos os anos.

Ceuta é uma cidade autônoma pertencente à Espanha, situada no norte da África, às margens do Mar Mediterrâneo e próxima ao Estreito de Gibraltar. Ao lado de Melilla, forma uma das únicas fronteiras terrestres entre a União Europeia e o continente africano.

Embora esteja sob administração espanhola há séculos, o território é reivindicado pelo Marrocos, cenário que frequentemente gera tensões diplomáticas entre os dois países.

Reação do governo espanhol

Diante da dimensão da crise, o governo da Espanha mobilizou unidades do Exército para atuar em apoio à Guarda Civil e às forças policiais, que relataram dificuldades para lidar com o elevado número de pessoas que chegaram à fronteira.

O primeiro-ministro Pedro Sánchez anunciou visita a Ceuta acompanhado do ministro do Interior, Fernando Grande-Marlaska. Além do reforço da segurança, o governo informou que pretende ampliar a cooperação com o Marrocos para controlar a fronteira e acelerar os processos de retorno dos migrantes, quando houver respaldo legal.

Apoio da União Europeia

A União Europeia declarou apoio ao governo espanhol e informou que avalia ampliar a cooperação para o controle da fronteira externa do bloco. Entre as medidas analisadas está o fortalecimento da atuação da Frontex, agência responsável pela gestão das fronteiras europeias.

Crise semelhante já ocorreu

A situação lembra a registrada em maio de 2021, quando cerca de 5 mil pessoas cruzaram a fronteira entre Marrocos e Ceuta em apenas um dia. Na ocasião, o episódio foi relacionado à crise diplomática entre os dois países após a Espanha receber para tratamento médico o líder da Frente Polisário, movimento que defende a independência do Saara Ocidental.

Como ocorreu a travessia

Grande parte dos migrantes chegou a Ceuta nadando ao redor dos quebra-mares da praia de Tarajal, ponto que marca a fronteira entre Espanha e Marrocos. Outros atravessaram pelos espigões costeiros ou tentaram superar as cercas instaladas na divisa.

As autoridades espanholas informaram que a maioria dos migrantes é formada por cidadãos marroquinos, embora também tenham sido identificadas pessoas de outras nacionalidades africanas. Até o momento, não foi possível determinar as regiões de origem nem o trajeto terrestre percorrido antes da chegada à fronteira.

Investigação sobre o aumento do fluxo

O governo espanhol informou que ainda investiga as causas da nova onda migratória. Entre as hipóteses analisadas está a atuação de redes criminosas especializadas no tráfico de pessoas, que teriam incentivado ou organizado parte das travessias após mudanças recentes na interpretação das regras para devolução imediata de migrantes interceptados no mar.

Segundo as autoridades, até o momento não há indícios de participação do governo marroquino na organização do fluxo migratório.

O que acontecerá com os migrantes

Os imigrantes que chegaram a Ceuta passarão por processos de identificação e serão encaminhados para centros de acolhimento enquanto cada situação é analisada individualmente.

Quem solicitar proteção internacional terá o pedido avaliado pelas autoridades espanholas. Já os demais poderão ser devolvidos ao Marrocos, conforme os acordos bilaterais existentes e as decisões da Justiça da Espanha.

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