Falar sobre violência contra a mulher nem sempre precisa começar por uma palestra ou por um relato de agressão. Em Joaçaba, a proposta foi utilizar música, arte, humor e diálogo para abrir espaço à conscientização. Foi nesse formato que o encontro “Respeito em Voz Alta” reuniu 137 mulheres na tarde de sexta-feira (28), no Centro de Referência do Idoso (CRI).
A atividade integrou a programação do Agosto Lilás, campanha voltada à conscientização, prevenção e enfrentamento da violência contra a mulher. A iniciativa partiu de uma questão que permanece central nas ações de prevenção: reconhecer que a violência pode assumir diferentes formas e que informação e acolhimento são parte da rede de proteção.
Violência não se resume à agressão física
Durante o encontro, a discussão abordou situações que muitas vezes podem ser naturalizadas dentro de relacionamentos. Além da violência física, foram destacadas as formas psicológica, moral, sexual e patrimonial.
Essa distinção é importante porque algumas dessas violências não deixam marcas visíveis. Controle, humilhação, retenção de documentos ou de recursos financeiros e outras formas de constrangimento podem fazer parte de situações de violência e precisam ser reconhecidas.
Em Joaçaba, o tema já vem sendo trabalhado em outras ações do Agosto Lilás. O município mantém iniciativas de orientação e acompanhamento de mulheres em situação de violência por meio da rede de assistência social, com encaminhamentos conforme as necessidades de cada caso.
Em Santa Catarina, a Secretaria de Estado da Segurança Pública também mantém dados e sistemas voltados ao acompanhamento da violência contra a mulher. O Plano Estadual de Combate à Violência contra as Mulheres destaca o uso dessas informações para orientar ações de prevenção, proteção e enfrentamento.
Humor e música como caminho para discutir um assunto sério
Um dos momentos do “Respeito em Voz Alta” foi a apresentação da personagem Zefa, interpretada pela artista Caroline Brunoni, acompanhada de Nando Spezzato.
A apresentação utilizou humor, música e histórias do cotidiano. A escolha permitiu inserir a discussão sobre respeito e violência dentro de uma atividade cultural, sem retirar a seriedade do assunto.
A programação também abriu espaço para convivência e diálogo entre as participantes e contou com representantes do poder público, da rede de proteção e de instituições envolvidas no enfrentamento à violência contra a mulher.
Para a secretária de Assistência Social, Sandra Pacheco, ações desse tipo ajudam a criar espaços nos quais as mulheres possam falar, ser ouvidas e receber orientação.
“Falar sobre a violência contra a mulher é falar sobre respeito, dignidade e proteção”, afirmou.
Prevenção também passa por saber onde buscar ajuda
A campanha do Agosto Lilás não se limita à divulgação de mensagens de conscientização. A orientação sobre como identificar uma situação de violência e onde procurar ajuda também é parte do enfrentamento.
Em caso de emergência, a orientação é acionar a Polícia Militar pelo 190. Para denúncias, orientações e informações sobre violações de direitos das mulheres, está disponível o Ligue 180, canal nacional de atendimento à mulher.
Em publicação anterior sobre o Agosto Lilás, a Prefeitura de Joaçaba também informou que mulheres vítimas de violência podem receber acompanhamento pelo CREAS e ter acesso a encaminhamentos nas áreas psicológica, médica e jurídica, conforme cada situação.
O encontro realizado na sexta-feira, portanto, fez parte de uma discussão que vai além de um único evento. Ao reunir 137 mulheres e utilizar diferentes formas de expressão para abordar o tema, a iniciativa colocou novamente em evidência a necessidade de reconhecer a violência, romper o silêncio e conhecer os caminhos disponíveis para buscar proteção.
A conscientização é uma etapa da prevenção, mas informação só cumpre seu papel quando chega a quem precisa e ajuda a identificar uma situação antes que ela se agrave.

