Deputado que pediu prisão de Lulinha é anunciado como vice na chapa de Flávio Bolsonaro

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O deputado federal Alfredo Gaspar (PL-AL) foi anunciado nesta quarta-feira (5) como candidato a vice-presidente na chapa de Flávio Bolsonaro (PL). A definição foi confirmada durante evento do partido e ocorreu poucos dias após o Supremo Tribunal Federal (STF) autorizar três inquéritos da Polícia Federal envolvendo Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, cuja prisão preventiva havia sido solicitada por Gaspar no relatório final da CPMI do INSS.

A escolha surpreendeu parte dos bastidores políticos. Até os momentos que antecederam o anúncio, o nome mais cotado para ocupar a vaga de vice era o senador Rogério Marinho (PL-RN). No entanto, Flávio Bolsonaro confirmou Alfredo Gaspar como companheiro de chapa, formando uma composição exclusivamente com integrantes do próprio partido.

A decisão também acontece após Republicanos, União Brasil e Podemos anunciarem neutralidade na disputa presidencial, encerrando a possibilidade de indicação de um vice por uma legenda aliada.

Durante a apresentação da chapa, Flávio Bolsonaro destacou a trajetória profissional e política de Alfredo Gaspar, ressaltando sua atuação no Ministério Público, na segurança pública e na condução da CPMI do INSS.

Segundo o senador, Gaspar ganhou destaque nacional pela atuação na comissão parlamentar, na qual defendeu investigações relacionadas a supostas irregularidades envolvendo descontos em benefícios do INSS e pediu a prisão preventiva de Lulinha no relatório final.

Alfredo Gaspar de Mendonça Neto, de 55 anos, é advogado e iniciou sua carreira no Ministério Público de Alagoas em 1996. Ao longo da trajetória, ocupou diferentes promotorias, foi procurador-geral de Justiça entre 2017 e 2020, presidiu o Grupo Nacional de Combate às Organizações Criminosas e também comandou a Secretaria de Segurança Pública de Alagoas durante o governo de Renan Filho.

Sua primeira disputa eleitoral ocorreu em 2020, quando concorreu à Prefeitura de Maceió pelo MDB. Embora tenha liderado o primeiro turno, acabou derrotado no segundo. Em 2022, já filiado ao União Brasil, foi eleito deputado federal com mais de 102 mil votos, figurando entre os parlamentares mais votados de Alagoas.

Neste ano, Gaspar ingressou no PL, assumindo a presidência da legenda no estado e fortalecendo a articulação política do partido em Alagoas. A filiação passou a ser vista como um movimento de aproximação ao projeto presidencial de Flávio Bolsonaro, cenário confirmado com sua indicação para a vice-presidência.

O parlamentar ganhou projeção nacional ao relatar a CPMI do INSS. O parecer final elaborado por ele reúne 4.340 páginas, distribuídas em nove núcleos de investigação, e recomenda o indiciamento de 216 pessoas, entre empresários, servidores públicos, intermediários, entidades e políticos.

No documento, Gaspar solicitou o indiciamento de Fábio Luís Lula da Silva pelos crimes de tráfico de influência, lavagem ou ocultação de bens, organização criminosa e participação em corrupção passiva, além de defender a decretação de sua prisão preventiva.

A justificativa apresentada no relatório cita a viagem de Lulinha à Espanha durante a deflagração da Operação Sem Desconto, da Polícia Federal, apontando risco de eventual tentativa de escapar da aplicação da lei penal.

Apesar das recomendações, a base governista impediu o avanço do relatório. Além disso, a CPMI não possui competência para promover indiciamentos, podendo apenas encaminhar recomendações aos órgãos responsáveis, como a Procuradoria-Geral da República.

Nos últimos dias, entretanto, o STF autorizou três investigações conduzidas pela Polícia Federal contra Lulinha por suspeitas de tráfico de influência. Os procedimentos têm origem em elementos obtidos durante a Operação Sem Desconto, que apura um esquema de descontos indevidos em aposentadorias e pensões do INSS.

As investigações tratam de suspeitas envolvendo a atuação do empresário em negociações relacionadas ao Ministério da Saúde, à Dataprev e à empresa 3Structure IT, que mantém contratos com o governo federal. Também foi autorizada uma apuração sobre o suposto vazamento de informações sigilosas dos próprios inquéritos.

A defesa de Fábio Luís Lula da Silva afirmou receber as decisões com tranquilidade e sustenta que ele é alvo de perseguição por ser filho do presidente da República. Os procedimentos estão em fase inicial e não representam acusação formal nem condenação.

Após a autorização das investigações, Alfredo Gaspar voltou a se manifestar publicamente nas redes sociais, defendendo o avanço das apurações e reiterando o posicionamento adotado durante a elaboração do relatório da CPMI.

Com a definição da chapa, o PL disputará a eleição presidencial sem coligação nacional, apostando na construção de alianças regionais e no perfil político de seus candidatos para a campanha.

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