Levantamento revela evolução patrimonial de candidatos de SC antes das eleições de 2026

Destaque Política

Um levantamento sobre as declarações de bens dos candidatos catarinenses nas eleições de 2026 revelou diferentes trajetórias patrimoniais ao longo dos anos. A análise compara os primeiros registros apresentados pelos políticos à Justiça Eleitoral com os valores declarados atualmente ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

A ferramenta reúne dados oficiais de 290 candidatos de Santa Catarina que possuem duas ou mais declarações de bens registradas no sistema do TSE. O levantamento apresenta a diferença entre os patrimônios informados em eleições anteriores e o valor declarado no atual pedido de registro de candidatura.

Entre os casos analisados está o de Victor Piccoli (PDT), candidato a deputado estadual, que declarou R$ 260 mil em bens na eleição de 2016. Em 2026, o patrimônio informado chegou a R$ 12.474.326, distribuído em 16 itens, incluindo uma casa em condomínio fechado em Camboriú, uma lancha, um Porsche Cayenne e participação em um avião e um helicóptero.

A evolução representa um aumento nominal de 4.698% em dez anos, com a maior parte do crescimento concentrada entre a última eleição e a atual declaração.

O levantamento também identificou declarações com valores considerados incompatíveis com os bens descritos. Em alguns casos, os números indicam possíveis erros de preenchimento no momento do registro.

Um dos exemplos é a candidata Caterine (PODE), que declarou uma Honda HR-V 2015/2016 avaliada em R$ 93,7 milhões. Outros registros também apresentam valores elevados em veículos, imóveis e saldos financeiros, como bens declarados em centenas de milhões de reais.

Os valores foram mantidos exatamente conforme aparecem no sistema oficial do TSE. A Justiça Eleitoral disponibiliza os dados informados pelos próprios candidatos e não realiza uma correção automática antes da publicação das declarações.

Entre os casos considerados consistentes, Carlos Humberto (PL), candidato à Assembleia Legislativa, aparece com uma das maiores evoluções em valores absolutos. O político declarou R$ 2.681.949 em 2016 e chegou a R$ 18.229.500 em 2026, uma diferença de aproximadamente R$ 15,5 milhões.

Na sequência aparece Victor Piccoli, com aumento superior a R$ 12 milhões no período analisado, e Odair Tramontin (NOVO), que passou de R$ 7 milhões declarados em 2020 para R$ 14,6 milhões atualmente.

Também aparecem no levantamento nomes como Massocco (PL) e Bruno Souza (PL), que registraram crescimento patrimonial ao longo das declarações apresentadas à Justiça Eleitoral.

Na análise percentual, considerando apenas candidatos cuja primeira declaração ultrapassava R$ 100 mil para evitar distorções, Victor Piccoli lidera com crescimento de 4.698%.

Também aparecem entre os maiores avanços Jungles Wegher (NOVO), com aumento de 1.553% desde 2018, e Rodrigo Minotto (PDT), com crescimento de 1.513% em 20 anos. Padre Pedro (PT), Marcos da Rosa (PL), Bruno Souza (PL) e Ana Campagnolo (PL) também aparecem entre os maiores percentuais de evolução.

O levantamento mostra ainda trajetórias patrimoniais construídas ao longo de diferentes eleições. Ivan Naatz (PL), candidato à Assembleia Legislativa, declarou patrimônio de R$ 0 em 2004 e chegou a R$ 7.332.323 na declaração de 2026, sem apresentar redução entre os registros históricos.

Outro caso analisado é o de Camasão (PSOL), que passou anos declarando valores menores antes de informar patrimônio de R$ 456.475 neste ano.

Entre os candidatos à Câmara Federal, Ana Paula Lima (PT) possui uma das séries históricas mais longas, com registros desde 2006. Atualmente, declarou R$ 3.173.518 em bens. Já Julia Zanatta (PL) apresentou a maior declaração individual entre candidatos catarinenses ao cargo, com R$ 5.187.181.

O levantamento também identificou candidatos que declararam redução patrimonial. O caso de maior queda em valores absolutos foi o de Sorgatto (PL), que informou R$ 33.701.811 em bens em 2022 e declarou R$ 3.556.891 atualmente, uma diferença superior a R$ 30 milhões.

Outros nomes também registraram redução nos valores declarados, como Kariny Naiara Muller (PSDB), Doutora Rosana (PV), Dra. Sandra (PODE), Carla Corrêa (NOVO) e Renato da Farmácia (PSDB).

A variação patrimonial, por si só, não representa irregularidade. Alterações nos valores podem ocorrer por diferentes motivos, como venda de bens, heranças, investimentos, mudanças societárias, transferência patrimonial ou atualização de informações.

Os dados utilizados no levantamento são oficiais do Tribunal Superior Eleitoral e representam os valores nominais declarados pelos próprios candidatos, sem correção pela inflação.

O ranking continuará sendo atualizado conforme novos registros de candidatura forem disponibilizados e eventuais alterações nas declarações de bens forem realizadas dentro do prazo permitido pela Justiça Eleitoral.

 

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