A UTI Móvel do Hospital Nossa Senhora das Dores, de Capinzal, realizou 18 transferências de pacientes entre maio e agosto de 2026, segundo o balanço apresentado durante a sessão da Câmara de Vereadores nesta terça-feira (8). O Jornal do Meio-Oeste acompanhou a apresentação, que detalhou aos vereadores quais situações levaram à utilização da estrutura nos primeiros meses de funcionamento.
O levantamento foi apresentado pelo médico plantonista e responsável técnico pelo serviço, Carlos César Messias Maximo, durante o uso da tribuna. Os atendimentos tiveram como destino centros de referência regional, incluindo Joaçaba, e envolveram pacientes que necessitavam de suporte especializado durante o deslocamento.
A distribuição dos 18 casos foi de seis transferências em maio, uma em junho, cinco em julho e seis em agosto. Os números apresentados não incluem setembro, que ainda estava em andamento no momento do balanço.
De quedas graves a acidentes de motocicleta
Entre os atendimentos apresentados estão diferentes tipos de trauma.
Um dos primeiros casos ocorreu em 1º de maio, quando um jovem de 19 anos, vítima de um acidente de motocicleta, apresentou trauma abdominal e choque. Exames posteriores apontaram ruptura do baço, fraturas de vértebras torácicas e fratura na perna.
Ainda em maio, um homem de 62 anos precisou ser transferido após uma queda de aproximadamente três metros. O paciente apresentava trauma craniano e desorientação e posteriormente foram identificadas fraturas nas vértebras torácicas.
No dia 31 de maio, outro paciente, de 57 anos, foi transferido com traumatismo cranioencefálico grave e múltiplas fraturas, após uma queda de cerca de cinco metros.
Casos de trauma também apareceram nos meses seguintes. Em 14 de junho, um homem de 88 anos apresentou rebaixamento do nível de consciência e fraturas nasais após uma queda. Já em 28 de julho, um homem de 26 anos, vítima de espancamento, apresentava múltiplos ferimentos e sinais de choque hipovolêmico.
Em agosto, uma criança de dois anos foi transferida após uma queda acompanhada de sinais neurológicos considerados graves, com necessidade de realização de tomografia. Outro caso, no dia 20, envolveu um idoso de 68 anos, morador de Ouro, que sofreu uma queda em um bueiro e apresentava sangramento intra-abdominal, choque hipovolêmico, pneumotórax e fraturas de costelas.
AVC e infarto também estão entre os atendimentos
O balanço apresentado na Câmara também revelou uma série de transferências relacionadas a emergências neurológicas e cardiovasculares.
Nos dias 10 e 21 de maio, dois idosos, de 80 e 86 anos, foram atendidos em situações envolvendo suspeita ou confirmação de AVC.
Outro atendimento ocorreu em 11 de maio, quando um homem de 46 anos foi encaminhado enquanto ainda estava dentro da janela para trombólise após um infarto agudo do miocárdio.
Em julho, nos dias 14 e 27, houve outros dois atendimentos relacionados a suspeitas de AVC.
Em agosto, dois casos envolveram pacientes de Ouro. No dia 9, uma mulher de 77 anos foi transferida intubada para Joaçaba após um AVC extenso no tronco cerebral. No dia 20, outra paciente, de 71 anos, apresentou um AVC extenso em um hemisfério cerebral e também precisou de transferência especializada.
Três transferências envolveram gestantes
As situações obstétricas também fizeram parte do balanço.
Em 18 de julho, uma gestante de 34 semanas, de Ouro, foi transferida diante do risco de crise convulsiva associado a um quadro de pré-eclâmpsia.
No dia 6 de agosto, duas outras gestantes precisaram de transferência. Uma delas, com 32 semanas de gestação, estava em trabalho de parto prematuro e apresentava sangramento ativo. O encaminhamento para Joaçaba foi necessário para que tivesse acesso a suporte de UTI Neonatal.
No mesmo dia, uma gestante de 28 anos, com 31 semanas de gravidez, também foi transferida em razão de complicações graves relacionadas à pré-eclâmpsia.
Estrutura atende além de Capinzal
Os atendimentos apresentados também mostram que a UTI Móvel possui uma dimensão regional.
Em maio, Capinzal sancionou a Lei nº 3.624/2026, autorizando a celebração de convênios de cooperação na área da saúde com os municípios de Ouro e Zortéa, com anuência do Hospital Nossa Senhora das Dores, para utilização compartilhada da ambulância tipo UTI Móvel. A legislação prevê o transporte inter-hospitalar de pacientes.
Isso ajuda a explicar a presença de pacientes de Ouro entre os casos apresentados durante o balanço.
A proposta é que a estrutura seja utilizada dentro da rede regional quando houver necessidade de transferência de pacientes que precisam de suporte avançado durante o deslocamento.
Ambulância custou R$ 637 mil
A UTI Móvel foi viabilizada a partir da aquisição de uma ambulância tipo D, adaptada e equipada para atuar como UTI móvel.
O processo de contratação realizado pelo Fundo Municipal de Saúde de Capinzal teve valor global de R$ 637 mil e foi homologado em fevereiro de 2026. A documentação oficial descreve o veículo como uma ambulância UTI móvel tipo D, com equipamentos para atendimento adulto e neonatal.
A Prefeitura já havia anunciado a aquisição durante as comemorações dos 77 anos do município, informando que o veículo seria destinado ao reforço da estrutura de urgência e emergência.
O que os primeiros quatro meses mostram
Os 18 atendimentos entre maio e agosto não representam apenas um número. O conjunto dos casos apresentados na Câmara mostra que a estrutura já foi acionada em situações bastante distintas, mas com um ponto em comum: pacientes que precisavam deixar o município para receber atendimento especializado e cujo estado exigia acompanhamento durante a transferência.
Traumas graves, AVCs, infarto, complicações obstétricas e outras emergências aparecem no primeiro balanço do serviço.
A apresentação feita durante a sessão também permitiu que os vereadores tivessem acesso aos primeiros dados consolidados sobre a utilização da estrutura, que ainda está no início de sua operação.
Com setembro ainda em andamento, novos registros deverão ampliar esse primeiro retrato da demanda pela UTI Móvel em Capinzal e nos municípios que integram a estrutura regionalizada do serviço.

