Reajuste da passagem reacende debate sobre transporte coletivo em Joaçaba

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O aumento da tarifa do transporte coletivo voltou a gerar discussões sobre a qualidade e o funcionamento do serviço em Joaçaba, no Meio-Oeste de Santa Catarina. Desde o início de agosto, a passagem convencional custa R$ 7,45, enquanto estudantes pagam R$ 3,70.

O novo valor representa um reajuste de 6,43% em relação à tarifa convencional anterior, que era de R$ 7.

A mudança ocorre em meio a reclamações de usuários e questionamentos apresentados por vereadores na Câmara Municipal. Entre os problemas apontados estão atrasos, descumprimento de horários e itinerários e condições dos veículos utilizados no transporte.

O vereador Leandro Sarto afirma que as reclamações sobre o serviço chegam frequentemente ao Legislativo. Segundo ele, as dificuldades também atingem empresas que dependem do transporte coletivo para o deslocamento de seus funcionários.

Na avaliação do parlamentar, o aumento da tarifa pode ser compreendido diante dos custos enfrentados pela empresa responsável pela operação, especialmente com combustíveis e outras despesas. Por outro lado, ele considera que o reajuste aumenta a cobrança por melhorias na prestação do serviço.

Empresa explica aumento dos custos

As condições do transporte coletivo já haviam sido discutidas na Câmara de Joaçaba antes da alteração da tarifa. Em julho, o proprietário da Estrelatur Transporte Coletivo, Hudson Hack, participou da Tribuna Popular e respondeu aos questionamentos dos vereadores.

Durante a participação, foram abordados temas como valores das passagens, manutenção dos ônibus, horários e itinerários.

A empresa informou que enfrenta elevação dos custos necessários para manter o serviço, destacando principalmente as despesas com combustível. Também afirmou possuir 21 ônibus na frota, dos quais 16 estão em operação, e que os veículos passam por inspeções periódicas.

Um documento utilizado pela Prefeitura de Joaçaba para a contratação de passagens da Estrelatur em 2025 apontava valor de R$ 6,95 para o vale-transporte e de R$ 3,48 para o passe escolar.

O contrato estabelecia a possibilidade de reajuste conforme a variação do INPC após um ano da data limite para apresentação das propostas, com periodicidade anual.

Quanto o reajuste representa para o usuário

Com a tarifa atual de R$ 7,45, uma pessoa que utiliza o transporte coletivo duas vezes por dia, de segunda a sexta-feira, gasta aproximadamente R$ 327,80 por mês, considerando 22 dias úteis.

Com a antiga tarifa de R$ 7, o mesmo deslocamento representava R$ 308 mensais. Dessa forma, o reajuste representa uma diferença de R$ 19,80 por mês para quem realiza duas viagens por dia.

Além do impacto financeiro para os passageiros, a alteração no valor da passagem também voltou a colocar em pauta a necessidade de adequar o serviço às demandas da população.

Vereador sugere consórcio regional

Como uma possível alternativa para melhorar o transporte coletivo, Leandro Sarto defende que Joaçaba, Herval d’Oeste e, eventualmente, Luzerna avaliem a criação de um consórcio público voltado ao setor.

De acordo com o vereador, a proposta já vem sendo discutida principalmente entre Joaçaba e Herval d’Oeste. A ideia seria analisar o funcionamento atual do sistema e estudar um novo modelo de operação.

Entre as possibilidades citadas está a utilização de veículos menores e mais modernos, conforme a demanda apresentada pelos municípios.

Sarto também defende que as prefeituras levem a discussão ao Governo do Estado, considerando aspectos relacionados à legislação estadual e à organização das linhas que atendem a região.

Para o vereador, o usuário deve estar no centro das decisões, com a busca por horários e itinerários adequados e por um serviço que consiga atender tanto a população quanto as empresas que dependem do transporte coletivo.

Dessa forma, a discussão em Joaçaba vai além do aumento da passagem e envolve também a qualidade do serviço, os custos da operação e a busca por alternativas para o transporte coletivo do município e da região.

 

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