A Justiça da comarca de Tangará, no Meio-Oeste de Santa Catarina, condenou um padrasto e uma mãe por crimes graves cometidos contra uma adolescente dentro do ambiente familiar. As penas somadas ultrapassam 78 anos de prisão, com cumprimento inicial em regime fechado.
De acordo com a sentença, o padrasto recebeu pena superior a 49 anos de reclusão, enquanto a mãe foi condenada a quase 29 anos. Ambos foram responsabilizados por estupro de vulnerável e violência psicológica, considerados crimes hediondos pela legislação brasileira.
Abusos começaram ainda na infância e se prolongaram por anos
As investigações apontam que os abusos tiveram início quando a vítima tinha cerca de cinco anos de idade e se estenderam por aproximadamente uma década, entre 2013 e 2023. Os episódios ocorreram em diferentes cidades das regiões Oeste e Meio-Oeste catarinense, além de registros no interior do Rio Grande do Sul, onde a família também residiu durante parte desse período.
Segundo os autos, o padrasto se aproveitava da relação de autoridade para praticar os crimes, utilizando ameaças e intimidação para manter a vítima em silêncio. A decisão judicial menciona diversos episódios de violência, marcados por coerção e abuso contínuo.
Mãe foi condenada por omissão e pressão psicológica
A mãe da adolescente também foi considerada culpada por sua conduta omissiva. Conforme entendimento do juízo, ela tinha conhecimento das agressões e deixou de agir para proteger a filha, além de pressioná-la a negar os fatos e minimizar as denúncias.
Ainda segundo a decisão, a mulher teria priorizado a manutenção do relacionamento com o agressor, contribuindo para a continuidade dos abusos. Ambos os réus também foram condenados por violência psicológica, caracterizada por ameaças, manipulação emocional e constrangimentos constantes.
Vítima sofreu impactos emocionais e tentou ser silenciada
Durante o período de violência, a vítima foi submetida a um ambiente de medo e pressão, sendo levada a acreditar que uma eventual denúncia poderia causar danos à família. Esse cenário resultou em consequências emocionais severas, como ansiedade, isolamento e sofrimento prolongado.
A sentença também aponta tentativas dos acusados de interferir no andamento do processo, incluindo manipulação de mensagens e possíveis fraudes para desacreditar a vítima. O caso segue em segredo de justiça, e ainda cabe recurso da decisão.

