A Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) entregou ao Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), nesta segunda-feira, dia 31, uma nota técnica com 163 medidas voltadas à redução dos riscos de perdas na agropecuária brasileira causadas por eventos climáticos.
A elaboração do documento ocorre diante da previsão de efeitos do El Niño sobre a safra 2026/2027. Apesar disso, as propostas apresentadas não se limitam ao fenômeno e incluem ações permanentes de prevenção e gestão de riscos no setor.
Do total de medidas, 14 são direcionadas à agropecuária de forma geral, enquanto 139 foram elaboradas especificamente para diferentes cadeias produtivas. Outras dez propostas estão relacionadas ao apoio a políticas públicas.
A produção da nota técnica envolveu aproximadamente 50 profissionais da Embrapa, com participação de especialistas do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet).
Riscos considerados
A análise contempla diferentes eventos capazes de afetar a produção rural, entre eles secas, déficit hídrico, temperaturas elevadas, excesso de chuva, tempestades, geadas e incêndios.
No caso do El Niño, as projeções apontam maior possibilidade de chuvas abaixo da média em áreas do Centro-Norte do Brasil e de precipitações acima da média na região Sul.
Entre as orientações gerais apresentadas pela Embrapa estão o acompanhamento das previsões meteorológicas e o uso do Zoneamento Agrícola de Risco Climático (Zarc). A diversificação da produção e a adoção de sistemas como integração lavoura-pecuária e lavoura-pecuária-floresta também estão entre as recomendações.
O documento ainda destaca a importância da elaboração de planos de contingência, da manutenção da infraestrutura rural, da contratação de seguros e da formação de reservas financeiras.
Para as diferentes cadeias produtivas, as medidas incluem estratégias relacionadas ao manejo do solo, seleção de cultivares, organização das operações agrícolas, irrigação, drenagem e utilização de estruturas de proteção.
Políticas públicas
A nota técnica também apresenta propostas destinadas ao fortalecimento de políticas públicas voltadas à adaptação climática. Entre elas estão a ampliação do financiamento para medidas de adaptação, o aperfeiçoamento do seguro rural e o fortalecimento da assistência técnica e da pesquisa.
Também são apontadas ações para melhorar o monitoramento agrometeorológico e a gestão dos recursos hídricos, além de ampliar a capacidade de prevenção e combate a incêndios rurais e florestais.
As propostas integram o grupo de trabalho criado pelo Mapa para avaliar os riscos relacionados ao El Niño. A previsão é de que o grupo entregue, na quinta-feira, dia 3, um relatório reunindo informações das diferentes frentes de atuação.
Entre as próximas ações previstas está a elaboração de um plano de comunicação destinado a ampliar o acesso dos produtores rurais a informações e tecnologias voltadas à prevenção dos impactos climáticos.
