O candidato ao Senado por Santa Catarina Afrânio Boppré (PSOL) afirmou ser contrário à pena de morte, inclusive em casos de condenação por estupro. A posição foi apresentada durante entrevista ao Jornal Razão, em que o candidato também rejeitou a redução da maioridade penal e criticou a ideia de que cidadãos, incluindo mulheres ameaçadas por agressores, recorram ao armamento individual como forma de proteção.
Questionado sobre a possibilidade de um condenado por estupro voltar à sociedade após cumprir a pena, Boppré respondeu que não apoia a pena de morte. Para ele, “a pena é a prisão”, enquanto cabe ao poder público criar condições para garantir a segurança da população.
Durante a entrevista, o candidato mencionou a situação da violência contra as mulheres em Santa Catarina e afirmou que o estado já havia registrado 31 feminicídios no primeiro semestre, além de ameaças que, segundo ele, ocorreriam diariamente.
Boppré também se posicionou contra a redução da maioridade penal. Na avaliação do candidato, a medida não contribuiria para fortalecer a segurança pública. Ele ainda citou a falta de vagas no sistema prisional catarinense e defendeu a ressocialização como alternativa para parte das pessoas que estão presas.
“Nem todo mundo que tá lá merece uma pena maior do que a pena máxima no Brasil”, declarou durante a entrevista.
Candidato critica ideia de segurança baseada no armamento individual
Ao falar sobre a possibilidade de cidadãos se armarem para se proteger, Afrânio Boppré afirmou que não considera esse o caminho para enfrentar a violência. Segundo ele, a segurança pública não deve ser transferida para a responsabilidade individual de cada cidadão.
O candidato questionou a necessidade das forças de segurança caso cada pessoa precisasse garantir a própria proteção por meio de armas. Para ele, a ampliação do armamento e da violência não representa uma solução para a insegurança.
Boppré classificou como “barbárie” a ideia de uma sociedade em que cada pessoa precise manter um indivíduo armado na frente de casa para se sentir protegida.
Durante a conversa, ele também mencionou uma frase atribuída ao pai, segundo a qual quanto maior a presença de policiais armados nas ruas, menos segura seria a sociedade. O candidato afirmou defender um modelo de sociedade que não dependa do armamento e da violência para garantir segurança.
Violência contra mulheres
Ao abordar os feminicídios, o candidato relacionou a violência contra as mulheres à ideia de que a mulher seria tratada como propriedade do homem. Na avaliação dele, o machismo e o patriarcado contribuem para a anulação da mulher como indivíduo.
Ao final da entrevista, Boppré concordou com a avaliação de que, apesar da redução do número geral de mortes, os casos envolvendo mulheres apresentam uma realidade preocupante em Santa Catarina.
“Então, em Santa Catarina é difícil ser mulher”, afirmou.

