Mensagens e contrato de R$ 131 milhões colocam relação entre Moraes e Vorcaro sob análise

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A relação entre o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), e o banqueiro Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master, entrou no radar das autoridades durante as investigações que apuram suspeitas de irregularidades envolvendo a instituição financeira.

Reportagens publicadas nesta terça-feira (1º) pelo jornal O Estado de S. Paulo apontam que a Polícia Federal encontrou, no celular de Vorcaro, mensagens atribuídas ao banqueiro e destinadas a Moraes, documentos relacionados a um contrato de aproximadamente R$ 131 milhões com o escritório da advogada Viviane Barci de Moraes, esposa do ministro, além de registros de viagens em aeronaves ligadas a empresas associadas ao banqueiro.

Os elementos estão sendo analisados pelas autoridades. Isoladamente, porém, os documentos e registros divulgados não comprovam a prática de crime nem demonstram eventual interferência do ministro nas investigações.

Mensagens teriam sido enviadas ao ministro

De acordo com as informações divulgadas pelo Estadão, Vorcaro teria procurado Alexandre de Moraes por mensagens em outubro de 2025, em meio às medidas que poderiam atingir o Banco Master.

Em uma das comunicações, o banqueiro teria pedido ao ministro que conversasse com o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, e com o procurador-geral da República, Paulo Gonet.

Também foram identificadas mensagens atribuídas a Vorcaro em 17 de novembro de 2025, mesma data em que o banqueiro foi preso pela Polícia Federal. Conforme a reportagem, ele teria informado Moraes sobre negociações envolvendo a venda do Banco Master e buscado apoio para evitar medidas contra ele e contra a instituição.

As respostas do destinatário não teriam sido recuperadas. Parte do conteúdo, segundo as informações divulgadas, permaneceu registrada por meio de capturas de tela e do recurso de visualização única do WhatsApp.

Moraes nega ter recebido as mensagens e classificou as informações como uma “ilação mentirosa”.

O caso também chegou ao ministro André Mendonça, relator das investigações relacionadas ao Banco Master no STF. Ele avalia se Moraes deverá ser formalmente incluído na apuração e, antes de tomar uma decisão, solicitou manifestação da Procuradoria-Geral da República.

Contrato de aproximadamente R$ 131 milhões

Outro elemento analisado é um contrato firmado entre o Banco Master e o escritório Barci de Moraes Sociedade de Advogados, pertencente a Viviane Barci de Moraes.

Segundo documentos divulgados pelo Estadão e pelo g1, o acordo previa aproximadamente R$ 131 milhões para serviços jurídicos e de consultoria estratégica.

Metadados de um arquivo encontrado no celular de Vorcaro indicam que Alexandre de Moraes teria acessado e realizado alterações no documento antes de sua versão definitiva.

O escritório confirmou que o ministro teve acesso ao contrato, mas afirmou que isso ocorreu a pedido da área de compliance da própria banca. O objetivo, segundo a explicação apresentada, era verificar se existiria algum impedimento para a contratação.

A defesa do escritório sustenta que Moraes não julgava processos relacionados ao Banco Master no STF e, portanto, não haveria impedimento para a prestação dos serviços.

A banca informou ainda que o contrato vigorou entre fevereiro de 2024 e novembro de 2025. Segundo o escritório, os serviços envolveram consultoria jurídica, com participação de aproximadamente 15 advogados, além da contratação de outros três escritórios especializados.

Registros de viagens também são analisados

Os investigadores também passaram a examinar registros de deslocamentos aéreos envolvendo Moraes e Viviane Barci de Moraes.

As reportagens indicam que os dois teriam utilizado aeronaves de empresas relacionadas a Vorcaro em viagens entre Brasília e São Paulo. As informações teriam sido obtidas a partir de registros da Aeronáutica, do Aeroporto de Brasília, do Registro Aeronáutico Brasileiro e de empresas de táxi aéreo.

A Band também publicou informações sobre oito viagens realizadas entre maio e outubro de 2025. A maioria teria ocorrido em aeronaves da Prime Aviation, empresa que teve Vorcaro entre os sócios. Outro deslocamento teria sido feito em uma aeronave ligada a uma empresa que tinha entre seus integrantes o cunhado do banqueiro.

Moraes nega ter viajado em aeronaves de Vorcaro.

Já o escritório de Viviane informou que contratou serviços de táxi aéreo, inclusive da Prime Aviation. Ainda estão pendentes esclarecimentos sobre quem contratou e efetuou o pagamento dos voos, além da relação comercial existente entre os passageiros e as empresas responsáveis pelas aeronaves.

Investigação sobre o Banco Master continua

As informações sobre a relação entre Moraes e Vorcaro são analisadas paralelamente às investigações envolvendo o Banco Master.

A Polícia Federal conduz a Operação Compliance Zero, que apura suspeitas relacionadas à gestão da instituição financeira. Entre os pontos investigados estão possíveis irregularidades na emissão de títulos, operações financeiras e informações fornecidas aos órgãos de fiscalização.

Daniel Vorcaro foi preso em novembro de 2025 e novamente em março de 2026.

Ainda segundo informações divulgadas sobre o caso, durante depoimento à Polícia Federal, o banqueiro foi questionado sobre a relação do Banco Master com servidores do Banco Central.

A investigação busca esclarecer também se agentes públicos ou intermediários tiveram participação em eventuais irregularidades relacionadas ao caso.

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