O vereador e engenheiro civil Wilian Tonezi afirmou que a obra da ponte sobre o rio Cachoeira, em Joinville, já acumula aproximadamente R$ 100 milhões em aditivos contratuais em razão do prolongamento do cronograma de execução. Segundo ele, os problemas que resultaram no atraso já haviam sido apontados ainda durante a fase de licitação.
De acordo com o parlamentar, a análise do edital indicava dificuldades técnicas na execução de parte da obra. Conforme explicou, das quatro frentes de trabalho previstas, duas dependeriam da utilização de balsas para a instalação de estacas e construção dos pilares.
Segundo Tonezi, o planejamento previa que esse trabalho fosse realizado a cerca de 40 metros da margem do rio Cachoeira, distância que, na avaliação dele, inviabilizaria a execução da forma como estava descrita no projeto.
O vereador afirma que chegou a alertar os responsáveis pela obra durante o processo de licitação. Ainda conforme seu relato, técnicos da Prefeitura de Joinville sustentaram que os serviços seriam executados conforme o edital, mas ele manteve a avaliação de que seria necessária uma alteração no método construtivo, o que poderia provocar atrasos.
Inicialmente, a entrega da ponte estava prevista para maio deste ano. No entanto, o contrato recebeu prorrogação em abril, estabelecendo um novo prazo para conclusão em outubro de 2027.
Na avaliação do vereador, o aumento do período de execução gera despesas adicionais relacionadas à manutenção da estrutura da obra, incluindo custos com gerenciamento, equipes de trabalho, energia elétrica e locação de equipamentos.
Conforme destacou, essas despesas continuam sendo pagas independentemente do ritmo dos serviços.
Valor do contrato aumentou
Segundo Tonezi, o contrato original da obra foi firmado em aproximadamente R$ 296 milhões. Com os aditivos formalizados ao longo da execução, o custo total já se aproxima de R$ 400 milhões.
Para o parlamentar, a principal preocupação é identificar quem assumirá o impacto financeiro decorrente das alterações contratuais. Na avaliação dele, caso a empresa responsável modificasse a forma de execução inicialmente prevista, caberia ao município definir as condições para essa mudança.
Ainda segundo o vereador, isso não ocorreu da forma que ele esperava, o que, em sua avaliação, resultou no aumento dos custos da obra.
Pedido de documentos
Wilian Tonezi informou que protocolou um requerimento solicitando acesso à documentação relacionada aos aditivos contratuais firmados entre a Prefeitura de Joinville e a empresa responsável pela execução da ponte.
O objetivo, segundo ele, é compreender como ocorreram as decisões que levaram às alterações no contrato e verificar se os procedimentos adotados foram compatíveis com a execução da obra.
Além da documentação dos aditivos, o vereador também solicitou o cronograma detalhado atualizado da construção. Conforme declarou, até o momento esse material ainda não foi encaminhado pela administração municipal.
Enquanto aguarda a resposta aos requerimentos, Tonezi afirma que não pretende antecipar conclusões sobre o caso e que fará a análise após ter acesso aos documentos solicitados.
A obra da ponte sobre o rio Cachoeira permanece em andamento e, conforme o cronograma vigente, a conclusão está prevista para outubro de 2027.

