Mulher dá à luz em Fernando de Noronha após chegar ao hospital em trabalho de parto avançado

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Uma mulher deu à luz um menino neste domingo (26), no Hospital São Lucas, em Fernando de Noronha. O nascimento ocorreu apesar da regra que impede a realização de partos na ilha.

Segundo a Administração de Fernando de Noronha, a mulher chegou à unidade de saúde sem informar que estava grávida. Durante o atendimento, a equipe médica identificou a possibilidade de gestação e solicitou um exame de Beta HCG, que confirmou uma gravidez de 41 semanas.

Como a gestante já estava em trabalho de parto avançado, não houve tempo hábil para realizar a transferência para o Recife. O parto foi realizado no próprio Hospital São Lucas por uma equipe multiprofissional, seguindo os protocolos de atendimento.

A mãe é uma moradora temporária de Fernando de Noronha e trabalha em uma pousada. Conforme informado pelo hospital, ela e o recém-nascido estão clinicamente estáveis e passam bem.

O nome da mulher não foi divulgado. Ela também optou por não conceder entrevista.

Aeronave fica de sobreaviso para eventual transferência

Como medida preventiva, o Grupamento Tático Aéreo (GTA) foi acionado e permanece de sobreaviso. Caso a equipe médica considere necessário, mãe e bebê poderão ser transferidos para uma unidade de referência no Recife.

O governo não informou quando havia ocorrido o último nascimento de um morador de Fernando de Noronha. Levantamento divulgado pelo g1 aponta que os últimos partos registrados na ilha ocorreram em 2021, quando uma turista deu à luz.

Antes disso, outro nascimento havia sido registrado em 2018, após um intervalo de 12 anos sem partos. Na ocasião, a camareira Jamylla Gomes Ribeiro da Silva, então com 22 anos, teve uma filha.

Por que os partos são proibidos em Fernando de Noronha?

Fernando de Noronha possui apenas o Hospital São Lucas, uma unidade de média complexidade. A ilha não conta com maternidade nem Unidade de Terapia Intensiva (UTI).

De acordo com informações do Governo de Pernambuco, o Ministério da Saúde determina que os partos sejam realizados em maternidades que disponham de equipes especializadas.

Por esse motivo, as gestantes que vivem na ilha precisam deixar Fernando de Noronha ao completar 28 semanas de gravidez. A Administração da Ilha custeia a hospedagem no continente até o nascimento do bebê.

Regra já provocou debates entre moradoras

A proibição de partos em Fernando de Noronha é motivo de debate entre moradoras, que questionam o direito de dar à luz na própria ilha. O tema também foi abordado no documentário “Proibido Nascer no Paraíso”.

Em maio de 2020, a empresária Alyne Dias Luna foi levada ao aeroporto de Fernando de Noronha por policiais depois de se recusar a deixar a ilha para dar à luz. Na época, ela afirmou que temia contrair Covid-19 durante a viagem e, por isso, queria permanecer no arquipélago.

Mesmo sem o consentimento da gestante, o Governo de Pernambuco fretou uma aeronave para realizar a transferência até o Recife, onde o parto foi realizado.

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