A morte de Daiana Gisele Müller, de 38 anos, em Ipira, no Meio-Oeste catarinense, reúne três fatos que agora estão no centro da investigação: uma denúncia de ameaça, uma medida protetiva concedida pela Justiça e o acionamento do botão do pânico antes de a mulher ser encontrada morta. O ex-marido foi preso em flagrante, suspeito de cometer o feminicídio.
Daiana foi localizada na manhã desta terça-feira (20), na comunidade de Linha Capelinha, no interior do município. Ela era mãe de dois filhos, de 8 e 13 anos.
Da denúncia à morte: o que se sabe sobre a sequência
A primeira data confirmada pelas autoridades é 8 de outubro, quando Daiana procurou a Polícia Civil para registrar uma ocorrência por ameaça contra o ex-marido. No dia seguinte, 9 de outubro, a Justiça concedeu uma medida protetiva de urgência.
A decisão proibia o homem de manter contato com Daiana e determinava que ele permanecesse a pelo menos 100 metros dela.
Na manhã desta terça-feira, a mulher acionou o botão do pânico, recurso utilizado para solicitar atendimento policial em situações de risco. A Polícia Militar foi até a residência dela, na Linha Capelinha, e encontrou o imóvel arrombado.
Como Daiana e o suspeito não estavam no endereço, os policiais começaram as buscas nas proximidades. O corpo da mulher foi localizado em uma ponte, com marcas de facadas.
O intervalo entre o acionamento do dispositivo e a localização da vítima, assim como a dinâmica exata do crime, está entre os pontos que precisam ser esclarecidos pelas autoridades.
Ex-marido se apresentou à Polícia Militar
Após o crime, o ex-marido se apresentou espontaneamente à Polícia Militar em Presidente Castello Branco. Segundo a corporação, ele relatou ter matado a mulher.
O homem foi preso em flagrante e conduzido à Central de Plantão Policial de Concórdia. A Polícia Civil o autuou por feminicídio e representou à Justiça pela conversão da prisão em flagrante em preventiva.
Até a divulgação das informações, não havia confirmação sobre a decisão judicial a respeito desse pedido.
Polícia apura possível descumprimento da medida protetiva
A investigação também busca esclarecer se a medida protetiva foi descumprida e de que forma o crime ocorreu. A existência da ordem judicial e o acionamento do botão do pânico são elementos importantes para a apuração, mas não esclarecem, por si só, toda a sequência dos acontecimentos.
Caso fique comprovado que o feminicídio foi cometido em violação à medida protetiva de urgência, poderá incidir a causa de aumento de pena prevista no Código Penal, de um terço até a metade.
A Polícia Civil segue responsável pela investigação das circunstâncias da morte.
Com informações: Oeste Mais
