A Polícia Civil investiga a morte de um jovem de 21 anos encontrado com diversos sinais de violência em uma estrada de acesso a um plantio de eucalipto, na comunidade quilombola Corredeira, em Campos Novos, no Meio-Oeste de Santa Catarina. A vítima havia sido beneficiada dias antes por um indulto previsto no Decreto nº 12.790, assinado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
O corpo de Nicolas Ruan Souza da Silva foi localizado caído às margens de uma estrada de chão, em uma área de mata. Conforme os levantamentos iniciais realizados no local, a vítima apresentava diversas perfurações provocadas por instrumento perfurocortante em diferentes partes do corpo, além de sinais de mutilação, circunstâncias que apontam para um homicídio de extrema violência.
Segundo a Polícia Militar, o caso só chegou ao conhecimento das autoridades horas após a descoberta do corpo devido às dificuldades de comunicação existentes na comunidade. Uma moradora relatou que foi avisada por um homem que disse ter encontrado um cadáver enquanto colhia pinhão nas proximidades. Ao verificar a informação, ela confirmou a presença do corpo.
Sem cobertura de telefonia móvel e sem energia elétrica na residência, a mulher precisou caminhar até outro imóvel para conseguir solicitar ajuda. O corpo teria sido encontrado por volta das 14h, porém a Polícia Militar foi acionada apenas próximo das 18h.
Após a confirmação da ocorrência, a falta de sinal de comunicação também dificultou o acionamento da Polícia Civil e da Polícia Científica. Equipes dos dois órgãos estiveram no local para realizar os procedimentos periciais, incluindo o levantamento fotográfico, coleta de vestígios e remoção do corpo.
Durante os trabalhos, a vítima foi oficialmente identificada como Nicolas Ruan Souza da Silva, de 21 anos. Conforme registros das forças de segurança, ele possuía antecedentes por crimes como tráfico de drogas e furtos.
Benefício judicial havia sido reconhecido dias antes
Menos de uma semana antes do crime, a Justiça havia declarado extinta a punibilidade de Nicolas em um processo de execução penal que tramitava na Comarca de Campos Novos. A decisão foi proferida em 26 de junho e reconheceu a aplicação do indulto concedido pelo Decreto nº 12.790, publicado no Diário Oficial da União em 23 de dezembro de 2025.
O decreto, conhecido como indulto natalino, prevê a extinção da pena para condenados que atendam aos critérios estabelecidos pelo governo federal. No caso de Nicolas, parte das condenações foi alcançada pelo benefício, enquanto o restante da pena foi considerado cumprido pela Justiça.
Os registros apontam que as condenações somavam 1 ano, 4 meses e 25 dias de prisão por crimes como ameaça, dano, furto e desacato. Parte das penas, relacionada a um contexto de violência doméstica, não foi contemplada pelo indulto, mas também foi considerada extinta em razão do tempo já cumprido.
Com isso, o jovem estava legalmente em liberdade e sem pendências decorrentes daquele processo quando foi morto.
Investigação segue em andamento
Até o momento, a motivação do homicídio permanece desconhecida. Apesar das características do crime, a Polícia Civil informou que ainda não há elementos que permitam relacionar a execução ao histórico criminal da vítima ou ao recente encerramento de sua execução penal.
Nenhum suspeito foi identificado até agora, e as circunstâncias do assassinato seguem sendo investigadas pela Polícia Civil, que busca esclarecer a autoria e a motivação do crime.

