Hantavírus nova pandemia? Casos acendem alerta internacional

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A confirmação de casos de hantavírus em um navio de cruzeiro que partiu da Argentina com destino a Cabo Verde colocou autoridades sanitárias internacionais em alerta. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), seis dos oito casos suspeitos identificados a bordo já foram confirmados, enquanto três passageiros morreram em decorrência da doença.

O surto registrado no cruzeiro MV Hondius passou a ser acompanhado de perto pela OMS, que também monitora possíveis casos relacionados em outros países. Um especialista da organização permanece a bordo da embarcação até a chegada em Tenerife, na Espanha.

A doença causada pelo hantavírus é chamada de hantavirose e pode evoluir para quadros graves, incluindo a Síndrome Cardiopulmonar por Hantavírus (SCPH), condição que compromete pulmões e sistema cardiovascular.

Quais são os sintomas do hantavírus?

De acordo com o Ministério da Saúde, os primeiros sintomas costumam ser semelhantes aos de infecções virais comuns, o que pode dificultar o diagnóstico inicial. Entre os sinais mais frequentes estão:

  • Febre;
  • Fadiga intensa;
  • Dores musculares;
  • Dor de cabeça;
  • Tontura;
  • Calafrios;
  • Desconfortos abdominais.

Nos casos mais severos, a doença pode provocar insuficiência respiratória, complicações cardíacas e evoluir para síndrome da angústia respiratória aguda (SARA), exigindo internação em unidade de terapia intensiva.

Como ocorre a transmissão do hantavírus?

Os hantavírus são encontrados principalmente em roedores silvestres, que eliminam o vírus pela urina, saliva e fezes sem desenvolver sintomas da doença.

A principal forma de contágio em humanos ocorre pela inalação de partículas contaminadas presentes no ambiente. O vírus também pode ser transmitido por:

  • Contato de secreções contaminadas com olhos, boca ou nariz;
  • Ferimentos provocados por roedores infectados;
  • Contaminação das mãos após contato com excretas.

A OMS destacou ainda que existe registro de transmissão entre pessoas em variantes específicas do vírus identificadas na Argentina e no Chile, especialmente relacionadas ao hantavírus Andes.

Não existe tratamento específico para a doença

Até o momento, não há um medicamento específico capaz de combater diretamente o hantavírus. O tratamento é realizado com suporte clínico, conforme a gravidade apresentada pelo paciente.

Segundo autoridades sanitárias, pacientes podem necessitar de oxigenoterapia, ventilação mecânica, medicamentos antivirais e, em alguns casos, até diálise. Quadros críticos podem exigir intubação e internação em terapia intensiva.

O Ministério da Saúde também reforça a necessidade do uso de equipamentos de proteção individual por profissionais expostos ao risco de contaminação respiratória, como máscaras, luvas e óculos de proteção.

OMS detalha mortes e casos confirmados no navio

O primeiro caso suspeito foi registrado em um homem que apresentou sintomas no dia 6 de abril e morreu cinco dias depois ainda a bordo da embarcação. Inicialmente, o caso não foi associado ao hantavírus devido à semelhança dos sintomas com outras doenças respiratórias.

Posteriormente, a esposa da vítima desembarcou na ilha de Santa Helena, apresentou piora clínica durante um voo para Joanesburgo, na África do Sul, e morreu no dia seguinte. Exames laboratoriais confirmaram a infecção pelo hantavírus.

Outra passageira, de origem alemã, também morreu após desenvolver sintomas no fim de abril. A confirmação laboratorial da doença foi divulgada posteriormente pelas autoridades sanitárias.

Entre os sobreviventes, um cidadão britânico permanece internado em estado grave na África do Sul, enquanto outros pacientes seguem em observação hospitalar ou isolamento.

Países monitoram possíveis casos fora do cruzeiro

Além dos passageiros da embarcação, governos de diversos países passaram a investigar possíveis infecções relacionadas ao surto.

Autoridades de Singapura colocaram duas pessoas em isolamento após contato com uma das vítimas durante um voo internacional. Na Holanda, uma comissária da companhia aérea KLM foi hospitalizada em Amsterdã após apresentar sintomas compatíveis com a doença.

Também existem investigações em andamento na França e monitoramento de pacientes suspeitos nos estados norte-americanos da Califórnia, Geórgia e Arizona, segundo informações divulgadas pela imprensa internacional.

A OMS informou que notificou os países de origem dos passageiros para ampliar o rastreamento de contatos e evitar novos casos.

OMS afirma que risco global segue considerado baixo

Apesar da repercussão internacional do caso, o diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus, afirmou que o risco para a população em geral continua sendo considerado baixo.

Segundo ele, a organização acompanha a situação junto aos países envolvidos para limitar qualquer possível disseminação adicional da doença. A entidade também alertou que novos casos ainda podem surgir devido ao longo período de incubação do vírus.

A diretora do Departamento de Prevenção e Preparo para Epidemias e Pandemias da OMS, Maria Van Kerkhove, reforçou que o cenário não representa uma nova pandemia e não possui relação semelhante à registrada durante a crise da Covid-19.

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