Um perfil do Instagram identificado como @dggomeess97, cujo dono se apresenta com o nome de Pedro Gomes, está sendo denunciado por meninas de Capinzal e municípios da região Meio-Oeste catarinense por enviar mensagens de cunho sexual e ofertas em dinheiro para que enviem fotos íntimas.
De acordo com os relatos recebidos pela redação do Jornal do Meio-Oeste, o abordador inicia o contato de forma aparentemente casual nos comentários de publicações, perguntando a localização das jovens, e em seguida migra a conversa para o direct, onde revela sua proposta: pagamentos via Pix entre R$ 500 e R$ 800 em troca de conteúdo íntimo, sempre com promessa de sigilo.
Para criar proximidade e reduzir a desconfiança das vítimas, o indivíduo se apresenta como empresário, gestor financeiro e agropecuário com negócios em Alagoas e Recife, casado e pai de duas filhas, características usadas para transmitir falsa credibilidade e respeitabilidade.
O padrão de comportamento é claro: após o contato inicial com uma vítima, o perfil passa a seguir as amigas dela no Instagram, ampliando o alcance das abordagens dentro do mesmo círculo social, o que indica uma atuação sistemática e deliberada.
Quando confrontado sobre estar falando com uma menor de idade, o indivíduo recuou temporariamente, mas não encerrou o contato, comportamento típico do aliciamento progressivo, em que o abordador testa os limites da vítima antes de retomar a abordagem.
O que é grooming?
Este tipo de abordagem é classificado pelos especialistas em segurança digital como grooming ou aliciamento online — quando um adulto estabelece contato com crianças e adolescentes pela internet com intenção de obter conteúdo sexual ou estabelecer contato físico. A prática é crime prevista no art. 241-D do Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), com pena de reclusão de 1 a 3 anos, podendo ser acumulada com outros crimes digitais.
Atenção, pais e responsáveis de Capinzal e região
Converse com seus filhos e oriente-os a:
- Nunca aceitar propostas de dinheiro por fotos ou vídeos de qualquer natureza
- Não responder mensagens de desconhecidos no Instagram ou qualquer rede social
- Não apagar as conversas caso recebam — elas são provas fundamentais
- Contar imediatamente a um adulto de confiança caso recebam esse tipo de abordagem
- Verificar quem está seguindo seus perfis nas redes sociais
A lei protege suas filhas
A conduta registrada nos prints configura, no mínimo, o crime de aliciamento de menores pela internet (art. 241-D do ECA), com pena de 1 a 3 anos de reclusão. Caso o contato evoluísse para obtenção ou compartilhamento de imagens íntimas, o crime passaria a ser pornografia infantil (art. 241-A do ECA), com pena de até 8 anos. O Marco Civil da Internet (Lei 12.965/2014) obriga plataformas como o Instagram a remover o conteúdo e cooperar com investigações mediante ordem judicial. Além disso, o Código Penal prevê crime de importunação sexual (art. 215-A) e assédio (art. 146) para abordagens dessa natureza. A idade da vítima é agravante em todos os casos — nenhum consentimento de menor de 14 anos tem validade jurídica, e entre 14 e 18 anos a exploração sexual continua sendo crime. Denunciar é um dever de todos.
Esta reportagem foi produzida com base em prints de conversas fornecidos por vítimas à redação do Jornal do Meio-Oeste. As identidades das menores foram integralmente preservadas. Os registros originais estão sob guarda da redação.


