Um homem foi condenado pelo Tribunal do Júri da comarca de Campos Novos a 37 anos, cinco meses e cinco dias de reclusão, em regime inicial fechado, por tentar matar a ex-companheira. O crime ocorreu em setembro do ano passado e envolveu o descumprimento de medidas protetivas determinadas pela Justiça.
A condenação reconheceu a prática de tentativa de feminicídio qualificado pelo meio cruel, pelo recurso que dificultou a defesa da vítima e pelo descumprimento de medidas protetivas de urgência.
O réu, que possui antecedentes criminais, estava preso preventivamente durante o processo. Após a leitura da sentença, ele foi novamente encaminhado ao sistema prisional.
Crime ocorreu após descumprimento de medida protetiva
Segundo a denúncia apresentada pelo Ministério Público de Santa Catarina (MPSC), o caso aconteceu em 1º de setembro do ano passado, após o término do relacionamento.
Dias antes do ataque, o homem teria ameaçado a ex-companheira com uma faca. Diante da situação, a Justiça determinou medidas protetivas em favor da mulher.
Mesmo com a ordem judicial, o acusado teria aguardado a vítima nas proximidades do local onde ela trabalhava. Quando ela chegou, ele teria entrado de surpresa na motocicleta e a obrigado a seguir até a residência dele.
Conforme a acusação, já no imóvel, o homem submeteu a vítima a agressões e a obrigou a ingerir soda cáustica, provocando graves lesões. Posteriormente, quando ela estava debilitada, ele a atingiu com uma faca na região do pescoço.
A mulher permaneceu no imóvel por aproximadamente cinco horas até que familiares do agressor chegaram ao local e acionaram atendimento médico.
De acordo com os laudos apresentados no processo, o ferimento ficou próximo de uma artéria importante. A intervenção médica evitou que o ataque resultasse na morte da vítima.
Vítima relatou consequências durante julgamento
Durante a sessão do Tribunal do Júri, a mulher prestou depoimento e falou sobre as consequências físicas e psicológicas deixadas pelo crime.
O Ministério Público foi responsável pela acusação no julgamento. Durante sua manifestação, o Promotor de Justiça Paulo Roberto Colombo Junior destacou a gravidade da violência e afirmou que o sentimento de posse e a dificuldade em aceitar o fim de um relacionamento não podem ser usados como justificativa para agressões.
A condenação ocorreu durante o Agosto Lilás, campanha voltada à conscientização e ao enfrentamento da violência doméstica e familiar.

