“Não vai ter entrega”: motoboys protestam contra sistema do iFood e prometem novas paralisações em SC

Trabalho Destaque Economia

Entregadores por aplicativo realizaram uma paralisação na terça-feira (21), em Florianópolis, em protesto contra o modelo +Entregas, lançado pelo iFood. Os trabalhadores contestam a forma de distribuição das corridas e afirmam que a nova modalidade estaria reduzindo a quantidade de pedidos recebidos por profissionais que permanecem no formato tradicional.

Durante a manifestação, motoboys estacionaram as motocicletas, exibiram faixas e criticaram as regras do sistema. Segundo os participantes do movimento, algumas entregas realizadas dentro do +Entregas têm valor aproximado de R$ 3,50.

A nova modalidade permite que o entregador reserve um período de trabalho e atue em uma área determinada pela plataforma. De acordo com os manifestantes, a prioridade dada aos profissionais que aderem ao sistema estaria fazendo com que trabalhadores do modelo Nuvem recebam menos chamadas.

Um entregador ouvido durante o protesto afirmou que a mudança tem provocado insatisfação entre profissionais dos dois formatos. Segundo ele, quem trabalha no +Entregas precisa realizar mais corridas para alcançar uma remuneração considerada satisfatória, enquanto os trabalhadores que permanecem na modalidade tradicional relatam períodos prolongados sem pedidos.

Como funciona a remuneração

O valor aproximado de R$ 3,50 por corrida é um dos principais pontos questionados pelos manifestantes. O iFood, porém, afirma que a remuneração do +Entregas não é composta apenas pelo valor individual de cada entrega.

Segundo a empresa, o modelo inclui um valor fixo referente ao período em que o profissional permanece disponível, além de uma quantia por entrega realizada. Também existe uma garantia mínima quando a demanda fica abaixo do esperado, conforme as regras da modalidade.

Para ter direito à parcela fixa, o entregador precisa permanecer disponível durante pelo menos 90% do período reservado e não pode ultrapassar duas rotas canceladas ou rejeitadas.

No formato Nuvem, a plataforma informa pagamento mínimo de R$ 7,50 para rotas feitas de motocicleta ou carro e de R$ 7 para bicicletas. O sistema também prevê valor mínimo de R$ 1,50 por quilômetro e adicionais em determinadas situações, como pedidos agrupados.

Reivindicações da categoria

Os trabalhadores também relacionam a atual mobilização ao movimento nacional realizado em 2025, quando a categoria reivindicava uma taxa mínima de R$ 10 e aumento no valor pago por quilômetro.

Após a mobilização, o iFood anunciou a elevação da taxa mínima para motocicletas e carros de R$ 6,50 para R$ 7,50. Para bicicletas, o valor passou a R$ 7.

Os manifestantes afirmam que o reajuste não resolveu todas as reivindicações e criticam o lançamento posterior do +Entregas.

Durante o protesto em Florianópolis, os trabalhadores defenderam o fim do novo modelo e afirmaram que pretendiam manter a mobilização até o período da noite, além de realizar uma passeata de motocicletas pela Ilha.

O que diz o iFood

Em posicionamento sobre a paralisação, o iFood afirmou respeitar o direito à manifestação pacífica e à livre expressão dos entregadores.

A empresa sustenta que a adesão ao +Entregas é opcional e que os profissionais podem alternar entre as modalidades sem prejuízo às suas contas. A plataforma também afirma que a remuneração do novo sistema não se limita ao valor individual de cada corrida.

Segundo o iFood, entregadores que aderiram ao modelo registraram ganho médio por hora superior ao observado no formato tradicional. A empresa informou ainda que acompanha a implantação da modalidade e mantém diálogo com representantes dos trabalhadores.

Os manifestantes, por outro lado, afirmam que pretendem realizar novos protestos caso o sistema não seja alterado.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *