Com dívida superior a R$ 200 milhões, Quero-Quero fecha 14 lojas e demite mais de 100 funcionários

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A rede varejista Quero-Quero, conhecida pela atuação no setor de materiais de construção e pela presença em diversas cidades do Sul do Brasil, iniciou um processo de redução da operação em meio a um cenário de dificuldades financeiras. Ao todo, 14 lojas foram fechadas no Rio Grande do Sul e mais de 100 funcionários foram demitidos, segundo entidades representativas dos comerciários.

As medidas ocorrem após a empresa registrar um prejuízo líquido de R$ 61,7 milhões no primeiro trimestre de 2026. O resultado representa uma alta de 98% nas perdas em comparação com o mesmo período do ano anterior, conforme os dados divulgados pela própria companhia ao mercado.

Além do prejuízo, a varejista acumula uma dívida superior a R$ 200 milhões. Diante do cenário financeiro, a empresa passou a revisar sua estrutura e a encerrar unidades consideradas deficitárias, ou seja, operações que apresentam custos superiores à capacidade de geração de resultados.

Entre os estabelecimentos fechados está uma unidade localizada em Canoas, na Região Metropolitana de Porto Alegre. As demais lojas encerradas estavam distribuídas por diferentes municípios do interior do Rio Grande do Sul.

Empresa aponta dificuldades no setor da construção

Ao explicar o desempenho negativo, a Quero-Quero relacionou o resultado a uma combinação de fatores que afetaram diretamente o consumo. Entre eles estão a redução nas vendas do setor da construção civil, os juros elevados, a menor oferta de crédito e o alto endividamento das famílias.

Esse conjunto de fatores impactou especialmente o varejo de materiais de construção, segmento no qual a empresa possui forte atuação.

Fundada na década de 1960, em Santo Cristo, no interior do Rio Grande do Sul, a Quero-Quero tem sede em Cachoeirinha, na Região Metropolitana de Porto Alegre. A companhia passou a ter capital aberto na bolsa brasileira em 2020 e, desde então, divulga regularmente seus resultados financeiros ao mercado.

A expansão da rede ocorreu principalmente em cidades pequenas e médias do interior, levando a marca a diferentes municípios do Sul do país, incluindo Santa Catarina.

Lojas em Santa Catarina seguem em operação

Até o momento, nenhuma unidade catarinense aparece entre as lojas fechadas pela empresa. O processo anunciado concentrou-se no Rio Grande do Sul, enquanto as lojas da Quero-Quero em Santa Catarina continuam funcionando normalmente.

De acordo com os dados mais recentes divulgados pela companhia, o estado possui cerca de 86 unidades da rede. O Paraná conta com aproximadamente 150 lojas. Juntos, os dois estados estiveram entre as principais áreas de expansão da varejista nos últimos anos.

Mesmo após o fechamento de 14 unidades, a empresa mantém 574 pontos de venda ativos nos três estados da Região Sul. No mesmo período, duas novas lojas foram inauguradas, indicando que a estratégia adotada envolve a revisão da operação e a concentração de esforços em regiões consideradas mais rentáveis.

Segundo a companhia, as medidas fazem parte de um plano de eficiência voltado à redução de custos fixos, à readequação da estrutura de capital e à busca por maior sustentabilidade financeira em um cenário de instabilidade no varejo.

Os próximos balanços deverão ser acompanhados pelo mercado para avaliar os efeitos das medidas adotadas e verificar se o processo de redução de despesas será suficiente para melhorar o desempenho financeiro da empresa.

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