Um menino de 2 anos permaneceu sozinho dentro de uma van escolar por cerca de uma hora e vinte minutos após ser esquecido no veículo em Anchieta, no Oeste de Santa Catarina. O caso ocorreu em 18 de maio, mas só veio a público quase dois meses depois, quando a mãe da criança decidiu relatar o episódio.
Segundo o relato da família, além do esquecimento, a principal preocupação é a forma como o caso teria sido conduzido, já que os pais afirmam que somente foram informados sobre o ocorrido sete dias depois.
Criança foi encontrada após começar a chorar
De acordo com a mãe, o menino embarcou na van como fazia diariamente e adormeceu durante o trajeto até a escola. Após o desembarque das demais crianças, o motorista teria estacionado o veículo na garagem sem perceber que o garoto continuava no interior da van.
Ainda conforme o relato, a criança permaneceu trancada até acordar e começar a chorar. O som foi ouvido por outro motorista que passava pelo local, o qual percebeu a presença do menino no veículo e comunicou o responsável.
Na sequência, duas servidoras da Secretaria de Educação foram até a garagem, retiraram a criança da van e prestaram os primeiros cuidados. Segundo a mãe, o menino estava bastante abalado e, conforme foi informado posteriormente a ela, não queria sair do colo de uma das funcionárias.
Mãe afirma que não houve atendimento médico
A garagem onde o veículo estava estacionado fica nos fundos da Secretaria de Educação.
Segundo a mãe, apesar da proximidade com a estrutura pública, a criança não foi encaminhada para atendimento médico nem houve acionamento do Corpo de Bombeiros. Após ser acalmado, o menino foi levado para a escola e permaneceu normalmente nas atividades.
Ainda conforme a família, nenhum responsável foi comunicado no mesmo dia.
Família diz que soube do caso uma semana depois
A mãe afirma que recebeu uma ligação apenas no dia 25 de maio, quando foi convidada para uma reunião na Secretaria de Educação. Segundo ela, a diretora informou previamente que o assunto “não era grave” e que a criança estava bem.
Durante o encontro, imagens das câmeras de segurança teriam sido apresentadas à família, momento em que a mãe tomou conhecimento do ocorrido.
Ela relata que a justificativa apresentada pelas pessoas envolvidas foi o receio de sua reação e a preocupação com a condição de saúde do motorista.
Denúncia já havia sido registrada
Após a reunião, a mãe procurou a Delegacia de Polícia e afirmou ter descoberto que já existia uma denúncia anônima registrada no próprio dia 18 de maio sobre o episódio.
Segundo ela, a informação reforçou a suspeita de que a família somente foi comunicada porque o caso poderia se tornar público.
Durante o período entre o ocorrido e a reunião, o menino continuou sendo transportado pelo mesmo motorista.
Criança faz acompanhamento psicológico
A mãe relata que, nos dias seguintes ao episódio, percebeu mudanças no comportamento do filho, que passou a chorar com mais frequência e apresentou uma crise de pânico. Inicialmente, ela acreditou que as alterações estivessem relacionadas à recente mudança de residência da família.
Conforme informado, a criança passou a receber acompanhamento psicológico por encaminhamento do Conselho Tutelar. Segundo a mãe, o quadro vem apresentando melhora gradativa.
Caso segue em apuração
Ainda de acordo com a família, existe um procedimento em andamento e algumas pessoas já foram indiciadas.
A mãe afirma que, até o momento, diretora, secretária de Educação e professora permanecem exercendo normalmente suas funções. Já o motorista estaria afastado por motivo de licença médica, e não por determinação administrativa.
Ao tornar o caso público, a mãe disse esperar que o episódio sirva de alerta para outras famílias e defendeu que situações semelhantes sejam denunciadas e devidamente apuradas pelas autoridades.

