Fiz as pazes com o tempo
Resolvi andar nem mais defronte a ele
Ou sequer a sua sombra ser,
Mas no entanto, caminhar ao seu lado;
Da sua mão a soltei
Tampouco o consegui segurar todos esses anos
“Pode-o correr”, dizia a ele com alegria; pois agora estaria eu ao seu lado
Como um fiel companheiro de grandes aventuras;
Não mais briguei com ele por na segunda demorar a passar e no domingo desfilar acelerando voando sem dar sinal de d’onde viraria na avenida lotada do ser, esperando-se tudo se resolver;
Por ora, não o culpei mais por sua incapacidade de cura; das cicatrizes ainda abertas; ou sequer pelos cabelos brancos já apresentados;
Das fotos amareladas na geladeira apenas as contemplei com grande sorriso no rosto, ao meu lado ele me dizia: “a luz do último equinócio permanece intacta à lembrança mesmo depois desses anos todos”; de todas as recordações, sempre a mais bonita;
Defronte ao espelho, dez anos se passaram e o olhar ainda leva consigo aquela última lágrima carregada de saudade que sua estrela a moldou tão pequenininha, para não ocupar muito espaço doutras coisas;
Hoje ela se tornou um mar afogável d’onde a vida arde e queima na avenida da alegria, vizinha da tristeza com esquina da saudade e da melancolia onde seu sorriso tudo ilumina;
Autoria de Gustavo Rático

